Ode ao molho pesto
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sexta-feira, 24 de abril de 2020
Fábio Luporini/ Especial para Folha 2 
O aromático manjericão batido no azeite de oliva com uns pedacinhos triturados de castanha e encorpado com o queijo parmesão se transforma num dos mais deliciosos molhos que a gastronomia conhece. Simples, porém muito gostoso, o molho pesto é frequentemente utilizado em massas. Natural de Gênova, no norte da Itália, originalmente é composto com pinhões de Pinus pinea. Entretanto, o paladar brasileiro adaptou às castanhas que encontramos mais facilmente por aqui, como a do Pará. E tem gente ainda que prefere utilizar outras folhas verdes para dar cor, sabor e texturas diferentes.
Nunca me esqueço do melhor molho pesto que eu já degustei na vida. Preparado pelo meu hoje afilhado João Pedro Fabrini, que na época tinha seus 12 ou 13 anos, foi misturado a um spaghetti, cuja massa havia sido feita por ele também. Que nostalgia toda vez que me recordo desse prato. Outro que não me sai da memória é do amigo Marcelo Camargo, chef do restaurante Brasiliano, que, inclusive, ensinou-me a preparar o molho num dos programas Multi Chef, no ano passado.

Daí por diante, então, passei a fazê-lo em casa, vez em quando. Com a base do manjericão fresco, já acrescentei até algumas folhas de alecrim, que o torna ainda mais aromático. Utilizei o molho para temperar um pernil de carneiro que o meu compadre Faustino Gentilin Filho me deu de presente no fim do ano. Deixe a carne marinando no molho durante uns dois dias. Se possível, vire o pernil para que ambos os lados tenham contato com o molho. Ou então guarde-o na geladeira dentro de um saco plástico. Depois, é só levar ao forno.
O contato do molho com a carne faz com que o gosto forte do carneiro suma, ao mesmo tempo em que o aroma do pesto minimiza sua acidez e fica extremamente agradável. Não se esqueça de bater junto um dente de alho e salgar a gosto. Normalmente, uma pitadinha já resolve. Não costumo usar muito sal na cozinha e, por isso, não sinto falta. Ah, e acrescente um pouquinho de pimenta. O ideal é que seja a do reino, mas, na falta, pode ser qualquer das pimentas pretas. Nunca experimentei com as vermelhas, como a rosa ou a calabresa. Então, não sei como fica.
Além das massas diversas e do carneiro, outro dia degustei o molho pesto sobre uma posta de salmão, preparada por um casal de amigos. Regado a bastante azeite, o salmão cozido recebeu o molho pesto por cima. Quentinho, serviu como um delicioso aperitivo, que pode ser degustado com torradinhas ou sozinho mesmo. Enfim, o molho pesto é delicioso e quero ampliar o rol de pratos preparados com ele. Eu, particularmente, nunca fiz, mas logo devo aplicá-lo num delicioso risoto. E, claro, depois conto aqui o resultado!


