Celso Mattos
De Londrina
A opressão vivida pelas mulheres nos países mulçumanos é um tema pouquíssimo explorado na cinematografia produzida no Oriente Médio. ‘‘A Maç㒒 é uma grata e surpreendente exceção. Dirigido pela iraniana Samira Makhamalbaf, de apenas 18 anos – filha do consagrado cineasta Moshen Makhamalbaf – o filme foi exibido no Festival de Cannes e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 1998. ‘‘A Maç㒒 consegue a preciosidade de, com uma linguagem sutil, metafórica, mas também simples, tratar de todas as questões relativas ao estado de prisão que pode significar ser mulher nesses países.
Um filme com momentos únicos, de extrema poesia, concisão e contundência. Em um subúrbio de Teerã, Samira descobriu que diversas famílias tinham denunciado ao Serviço Social do Estado, um casal que mantinha as filhas gêmeas de 12 anos, prisioneiras em casa desde o nascimento. As meninas mal sabiam falar e mesmo andar. Sua mãe era cega e o pai, já mais velho, era o único com acesso à rua. Foi então que a jovem cineasta resolveu transformar o fato em um filme, usando como atores os próprios protagonistas da história real.
Nem por um momento, Samira cai na tentação de julgar ou denegrir a imagem dos pais das meninas. Na verdade, há um olhar compreensivo sobre eles. Em um momento tocante do filme, o pai se justifica: ‘‘Minhas filhas são como flores, eu não posso expô-las ao sol, senão elas vão morrer.’’ Por meio da assistente social e da vizinhança, a diretora vai penetrando delicadamente no mundo daquela família, tentanto entender aquela estranha forma de amor e proteção. Com a intervenção da assistente social, as meninas descobrem a liberdade. Aí começa uma sucessão de belos momentos. As gêmeas sentem o prazer de caminhar pela rua, encontram outras crianças, jogam amarelinha e tomam sorvete pela primeira vez.
Em ‘‘A Maç㒒, Samira Makhamalfab consegue ir ao âmago da questão da prisão e da liberdade feminina no Irã. Combinando documentário e ficção, o filme expõe com firmeza a condição primitiva da mulher na cultura mulçumana. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 86 minutos.‘‘A Maç㒒, dirigido pela estreante Samira Makhamalbaf, é uma metáfora da opressão vivida pela mulher mulçumana
Reprodução‘‘A Maç㒒 conta a história real de duas meninas que viviam trancadas em casa desde o nascimento

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