Alguns integrantes dos grupos que irão ao Festival de Teatro de Curitiba mostrar o que vem sendo produzido na cena artística da cidade: apesar de tudo, o clima é de otimismo
Alguns integrantes dos grupos que irão ao Festival de Teatro de Curitiba mostrar o que vem sendo produzido na cena artística da cidade: apesar de tudo, o clima é de otimismo | Foto: Gina Mardones



Nas próximas semanas o público curitibano terá a oportunidade de conhecer um recorte da atual cena do teatro londrinense. Doze companhias da cidade participarão da Mostra Pé Vermelho que integra a programação do Fringe, evento simultâneo ao 27º Festival de Teatro de Curitiba e que contará com a participação espontânea de companhias do Brasil inteiro. Trinta artistas de Londrina realizarão nada nada menos que 44 apresentações na capital paranaense durante o festival que acontece entre os dias 28 de março e 8 de abril.

Para participar do Fringe, os grupos londrinenses se uniram para criar o coletivo Okupação Londrina. O objetivo principal da iniciativa é levantar recursos financeiros para pagar os custos gerados com transporte, hospedagem e alimentação dos artistas durante o Fringe. A primeira ação das companhias foi criar uma campanha de financiamento coletivo pela internet. No entanto, a meta de R$ 10 mil proposta não foi atingida.

‘O Menino Eterno’, ‘Plano’, ‘Sobre Letras e Gritos’ e ‘Dona Antônia’ estão entre os espetáculos que representam Londrina no Fringe
‘O Menino Eterno’, ‘Plano’, ‘Sobre Letras e Gritos’ e ‘Dona Antônia’ estão entre os espetáculos que representam Londrina no Fringe | Foto: Samara Garcia/ Divulgação



"Conseguimos levantar apenas R$ 920 com a campanha. Mas como já tínhamos assumido um compromisso com a organização do Fringe, vamos para Curitiba de qualquer maneira. Buscamos outras alternativas como a venda de espetáculos para escolas de Londrina. E acreditamos que com a renda da bilheteria e do repasse do chapéu em locais públicos nas apresentações em Curitiba, conseguiremos cobrir nossos gastos", explica a atriz Camila Fontes, uma das idealizadoras do coletivo Okupação Londrina.

Imagem ilustrativa da imagem Ocupação pé-vermelho na capital
| Foto: Marina Wang/ Divulgação



Antes de embarcar para a capital paranaense, os grupos que integram o coletivo realizam várias apresentações no Calçadão de Londrina visando levantar mais recursos para a viagem programada para o próximo dia 27. "A partir das 10 horas, estaremos em frente ao Banco do Brasil apresentando trechos dos espetáculos que serão levados a Curitiba e passaremos o chapéu para o público no final das apresentações", informa a atriz Edna Aguiar. Ela destaca ainda que as pessoas que tiverem interesse em colaborar com os artistas londrinenses no Fringe podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (43) 99995-7499.

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| Foto: Divulgação



O coletivo Okupação Londrina é formado pelo Núcleo Às de Paus, TOU Teatro, Cia. Primeiro Encontro, Edna Aguiar, Cia. Triolé Cultural, Palhaço Ritalino, Cia. Incrível Teimosa, Cia. os Palhaços de Rua, Palhaça Adelaide Aleide, Cia. Cirko Volonte e Exército Contra Nada.

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| Foto: Thaisa Pucca/ Divulgação



Cenário positivo com vistas a um prêmio

Na avaliação da atriz Camila Fontes, o convite para participar da Mostra Pé Vermelho no Fringe não poderia ter chegado em melhor momento. "Acho que a gente nunca teve tantos grupos e artistas de teatro trabalhando na cidade. O curso de artes cênicas da UEL colaborou muito para a criação deste cenário. Será uma grande oportunidade poder mostrar ao público de Curitiba e outras cidades as diversas formações de teatro que existem em Londrina. Atualmente contamos com trabalhos experimentais, outros de pesquisa e formação, todos bacanas com atores jovens e outros já com muitos anos de experiência, todos com nível profissional, não tem nada meia boca", salienta.

Todas os espetáculos que integram a mostra já foram apresentados em Londrina. "Estamos num momento de colheita muito bom, apesar da falta de apoio que temos enfrentado, inclusive por parte do Programa Municipal de Incentivo à Cultura - Promic. A participação de artistas de Londrina no Fringe é muito importante, pois sempre tivemos muita dificuldade para chegar à capital, que sempre foi muito centralizadora em relação às artes cênicas do Estado, fazendo com que a produção de teatro realizada nas cidades do interior ficasse invisível", ressalta a atriz Edna Aguiar.

A atriz destaca ainda que a Mostra Pé Vermelho permitirá que os grupos londrinenses se inscrevam no Troféu Gralha Azul, primeiro prêmio oficial a homenagear os artistas e técnicos do teatro no Paraná, criado em 1974. "A comissão avaliadora do troféu não sai de Curitiba. Então, essa será uma oportunidade para que os espetáculos produzidos em Londrina sejam vistos pelos avaliadores, além do público" conclui.

A recente união dos grupos londrinenses para participar do Fringe pode acabar rendendo outras iniciativas. "As companhias de Londrina sempre foram muito independentes. Após esse contato mais próximo por conta do coletivo Okupação Londrina, a gente já pensa em criar uma cooperativa que facilitaria para que os artistas pudessem emitir notas fiscais e também diminuiria a burocracia na hora de participar de editais e fazer prestação de contas a patrocinadores", revela Camila Fontes.

Fringe reunirá 2 mil artistas

O Fringe do Festival de Curitiba – com companhias que participam de forma espontânea, sem curadoria – terá 20 mostras específicas em sua 21ª edição, um recorde. Serão 372 espetáculos do Brasil, Portugal, Chile, Uruguai e Colômbia, totalizando quase 1.500 apresentações. Doze atrações são internacionais.

O público verá nomes importantes e conhecidos como Letícia Spiller, Maureen Miranda, Sofia Monsalve, Marilyn Nunes, Carlos Simioni, Tuca Pinheiro, Nina Caetano, Maikon K, Ismine Lima, o Grupo Erro, de Florianópolis, e Marcos Bulhões. Estes e outros 2.200 artistas envolvidos nos 12 dias de duração, entre 28 de março e 8 de abril, se espalham por 79 espaços na cidade de Curitiba e também Região Metropolitana, numa média de 10 espetáculos e 30 apresentações por teatro.

Como sempre, o Fringe não se limita aos palcos convencionais: haverá espetáculos a que se vai de bicicleta, vários que acontecem em uma bicicletaria e outro apresentado em uma Kombi. Só na rua, serão 75 espetáculos em 300 apresentações. O Fringe terá 96 peças grátis, totalizando 384 sessões gratuitas, e 46 no sistema "Pague o Quanto Vale", em que o público escolhe quanto deve pagar em 138 apresentações. Estarão representados 14 estados no Fringe: depois do Paraná, com 211 espetáculos, vem São Paulo com 37; Rio com 32; Santa Catarina com 15; Minas Gerais com 13 e Espírito Santo com 11. Das 20 mostras específicas do Fringe, 15 são de Curitiba, uma é de Londrina, uma do Rio Grande do Sul, uma vem de Portugal e as demais têm origem no Mato Grosso e Ceará.

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