São Paulo, 23 (AE) - Em 1º de julho de 1997, a imprensa acompanhou a troca de bandeiras em Hong Kong. Foi o ápice da cerimônia que marcou a devolução à China, pela Inglaterra, do território que havia ocupado por 156 anos, desde 1841, mais exatamente. Foi uma cerimônia curta e sem emoção. Em menos de meia hora, soldados marcharam, líderes discursaram, documentos foram firmados, bandeiras subiram e desceram e Hong Kong foi definitivamente reintegrada ao território chinês.
Pelos termos do tratado de devolução, Hong Kong virou uma região administrativa especial, com direito a autonomia e a ser governada por seus cidadãos. Pequim comprometeu-se a não modificar o modelo econômico e social do território por um período de 50 anos. Vem cumprindo a agenda. O governo chinês cuida apenas da política externa e da defesa da ilha.
Nos últimos dois séculos, a Inglaterra dominou grandes porções do mundo. O sol nunca se punha no Império Britânico. Não era só uma frase de efeito. A devolução de Hong Kong marcou o fim de uma era. Hoje, o velho império sobrevive com pequenas colônias em ilhas do Caribe. Os ex-colonizadores tentaram consolar-se dizendo que levaram a civilização a Hong Kong. A opinião nunca foi compartilhada pela China, que considerava o colonialismo britânico uma afronta. Um dos maiores centros capitalistas do mundo, Hong Kong pode ter sido devolvida à China
mas não virou comunista, até porque a própria China abriu sua economia, mesmo mantendo a censura política e a repressão social.