São Paulo, 23 (AE) - Em "O Suspeito da Rua Arlington", Jeff Bridges embarca na paranóia americana e passa a desconfiar que qualquer cidadão pode ser um terrorista. Até o seu pacato vizinho. E não é que ele tem razão. O filme dirigido por Mark Pellington é um prato cheio para os neuróticos de plantão e os fãs de thrillers que carregam nas intrigas, reviravoltas e conspirações.
Por mais que o público considere a história forçada demais, é difícil não se deixar envolver pela trama ou pelo drama do protagonista. Em parte porque Bridges, perfeito no papel, convence o espectador de que ele acredita mesmo em todo o absurdo que está vivendo. E quanto mais ele afunda, mais sobe a tensão dentro e fora da tela.
Na pele de Michael Faraday, Bridges interpreta um professor especializado em terrorismo na história americana. Depois de perder a mulher, uma agente do FBI, em uma operação antiterrorismo, seu discurso fica mais inflamado e o assunto se torna uma obsessão em sua vida. Por uma das coincidências que só a indústria de Hollywood pode proporcionar, o homem ainda descobre que o vizinho tentou explodir um prédio na adolescência - o que o impulsiona a mergulhar em uma desmedida investigação. Daquelas que prometem ser fatais.
O tal vizinho é encarnado por Tim Robbins, que oferece exatamente o que personagem exige: capacidade de oscilar psicologicamente entre o típico pai de família e o terrorista lunático só para confundir o espectador. Sua mulher, vivida por Joan Cusack, também é expert em exercer a dupla personalidade. Juntos, formam um adorável casal suburbano que, de tanto se esforçar para parecer normal, acaba despertando desconfiança.
Faraday entra em contato com a família após salvar a vida do filho do casal, depois que o menino explode a mão brincando com fogos de artifício. A sequência de abertura, com o garoto vagando pela rua sangrando, é impactante - principalmente porque traduz o estado de choque do menino que parece estar anestesiado apesar da dor.
"O Suspeito da Rua Arlington" segue o ritmo eletrizante das produções do gênero. Talvez o único elemento que faça o filme destoar dos demais seja o final pouco previsível. Para não estragar o prazer do espectador, só dá para adiantar que, como o próprio Faraday reforça em suas aulas de terrorismo, o governo sempre encontra um culpado para dar nome ao problema e devolver o sentimento de segurança à população - principalmente em caso de ataque. Mas muitas vezes o "culpado não passa de vítima. O Suspeito da Rua Arlington Dir. Mark Pellington. EUA/99. Com Jeff Bridges, Tom Robbins. Dur. 117 min. Distribuição: Columbia TriStar.

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