Rio, 30 (AE) - Uma aquarela de Jean-Baptiste Debret, artista raro em leilões brasileiros, e um "Vaso de Flores" (óleo sobre tela), de Guignard, avaliado entre R$ 500 mil e R$ 700 mil, são as estrelas do leilão que a Bolsa de Artes promove amanhã, a partir das 21 horas, no Copacabana Palace, no Rio. "Esse leilão é dedicado a Guignard e seus vasos de flores são as obras mais valorizadas atualmente", diz o diretor da Bolsa, Jones Berghamin. "Esse é da década de 40, uma fase muito apreciada, quando ele já estava mais solto, deixando o academicismo."
O preço das obras de Guignard no mercado subiu depois que Ronaldo Costa Couto comprou outro vaso de flores, de 1931, por US$ 700 mil, em Nova York, e trouxe-o para a sua fazenda no interior do Estado do Rio. "Desde então, quem tem Guignard oferece-o para ver se apura um valor igual", conta José Coimbra
da Bolsa de Artes. "Mas o quadro "Festa na Roça" também é importante, porque resume numa só obra as características que permeiam todo o seu trabalho."
Segundo Berghamin, Debret quase não aparece em leilões porque são poucos os colecionadores particulares que possuem obras do artista que veio para o Brasil com a Missão Francesa, no século passado. A maior coleção brasileira de aquarelas de Debret está na Chácara do Céu, no Rio, e o último Debret negociado foi um lote comprado pelo Instituto Walter Moreira Salles, em abril deste ano, na Christies de Londres. "Foi importante porque as obras não saíram do Brasil."
Dois desenhos feitos com nanquin por Diego Rivera também são destaques do leilão pela raridade com que aparecem no mercado. Eles pertenceram ao escritor Vianna Moog, que os comprou do próprio artista nos anos 40. Desde então, os desenhos ficaram no Brasil. Entre as obras de arte contemporânea desse acervo, a mais importante é um "Casulo", de Lygia Clark, de 1959. "O grande valor dessa peça é que foi realizada pela própria artista e não uma das cópias que a família dela autoriza", explica Bergamin.
"É difícil prever como serão as vendas porque a situação brasileira pode mudar, para melhor ou pior, mas pelo nosso último leilão, em abril, e pelas feiras que têm ocorrido recentemente, as perspectivas são boas", prevê o leiloeiro Evandro Carneiro.

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