Obra sobre Tarsila aumenta o culto
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Fernando Oliva Agência Folha 
A mais modernista das pintoras brasileiras, Tarsila do Amaral (1886-1973), vive seu momento de glória no Brasil. O lançamento do livro Tarsila do Amaral, semana passada no MASP, aumenta o culto em torno da artista que pediu: Quero ser a pintora da minha terra.
A 24ª Bienal, atendendo ao desejo de Tarsila, transformou-a em coqueluche da mostra. Sua pintura é um dos principais pilares sobre os quais a Bienal se ergueu (o outro é o Manifesto Antropófago, escrito por Oswald de Andrade em 1928). Ela foi presenteada com uma sala especial, com curadoria de Sônia Salzstein.
Mas o boom começou mesmo no final do ano passado, quando a galeria de arte do Sesi, em São Paulo, exibiu mostra com 34 pinturas e 34 desenhos. Continuou em meados deste ano com a exibição do Abaporu no MAM-SP e toda a publicidade em torno da Coleção Costantini, de Eduardo Costantini (o banqueiro argentino que, em 1995, desembolsou US$ 1,35 milhão pelo célebre quadro de Tarsila).
O livro sobre a musa antropofágica - representante da capacidade brasileira de assimilar e transformar culturas alheias em identidade própria - está sendo lançado em homenagem aos 50 anos do Museu de Arte Moderna de São Paulo, comemorados em junho. Os textos de abertura são da crítica de arte Aracy Amaral, consultora para a exposição do Sesi. As obras reproduzidas abrangem um curto e nobre período (1923-1931) na trajetória de Tarsila. Estão lá dois dos períodos mais relevantes de sua carreira: pau-brasil (1924) e antropofágico (1928). A fase social (1933) não foi contemplada. Há alguns clássicos: Urutu, O Touro (Boi na Floresta) e Antropofagia, entre outras obras da artista que conseguiu devorar as vanguardas do início do século e o imaginário popular nacional.


