Obra-prima da mediocridade
Parece cada vez mais evidente que grande parte do que se identifica como ''cinema de consumo massivo'' se distancia mais e mais rapidamente das exigências e dos cânones da dramaturgia convencional, evoluindo melhor seria involuindo para alguma coisa mais próxima de entretenimentos primitivos. Primitivismo aqui no sentido de barbárie retomada.
A velocidade parece ser a essência destes atuais parâmetros hollywoodianos da narração e da representação. E quer melhor suporte do que estes velociraptores do asfalto, do que estas façanhas vertiginosas de improvisados pilotos de corridas, do que estas aventuras gratuitas e contundentes destas novas tribos urbanas que entendem muito mais de mecânica, aerodinâmica e aceleração do que de psicologia e sentimentos?
De repente os multiplex, também com seus dolbys turbinados, se transformam em gueto desta saga de condutores, quase adolescentes, que se enfrentam em disputas suicidas a bordo de máquinas intoxicadas à imagem e semelhança da mentalidade de seus proprietários. Com a palavra (mas qual palavra ?!), os descerebrados. Os homofóbicos. Os cínicos do marketing. Os reis da testosterona.
Entrando hoje no circuitão (e aqui o sentido é literal, com seu formato stadium), este ''Velozes e Furiosos Desafio em Tóquio'' (confira a programação na página 2) traslada novas-velhas peripécias dos bólidos e seus condutores (afinal, o quê dirige quem, e/ou vice versa?) para o cenário de certa megalópole asiática com seus grosseiros yakuzas.
O êxito da série, já comprovado pelos dois exemplares anteriores, é prova irrefutável desta irreversível mudança de hábitos que preconiza o triunfo da vertigem gratuita sobre a racionalidade. (C.E.L.J.)





