São Paulo, 13 (AE) - A ópera "O Escravo" foi a penúltima de Antônio Carlos Gomes, um drama lírico em quatro atos que estreou em 2 de setembro de 1889, no Teatro Imperial D. Pedro II, no Rio. No Teatro Municipal de São Paulo, estreou em 1917. É uma obra abolicionista de Carlos Gomes, surgida a partir de um libreto de Alfredo Taunay. Ele tentou em vão montá-la na Itália e em Londres, mas só conseguiu fazê-lo no Brasil, com o apoio da princesa Isabel, a quem o trabalho é dedicado. Consta que 48 dias depois da primeira encenação foi proclamada a República e ele, tido como monarquista, passou a ser um compositor proscrito.
De acordo com Luiz Aguiar, maestro do coro de "O Escravo", essa ópera, com "O Guarani" e "Morena", são três trabalhos de Carlos Gomes nos quais ele pretendia abordar o tripé da miscigenação racial no Brasil. Em "O Guarani", há o romance entre um índio e uma branca. Em "Morena", entre um negro e uma índia. Em "O Escravo", deveria haver o romance entre um negro e uma branca. Mas, para por restrições de ordem preconceituosa, Carlos Gomes foi obrigado a alterar o libreto e transformar "O Escravo" numa história de amor entre uma escrava índia, Ilara, e o filho do seu dono, Américo. No meio de tudo, um índio respeitoso com o qual ela é obrigada a casar-se, Iberê. (J.M.)

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