Além das modificações no formato dos produtos de dramaturgia da linha de shows, as novelas das seis da Globo passaram a ter uma função mais experimental. Seja para lançar novos autores ou para testar o apelo de folhetins mais curtos, como "Cordel Encantado" e "A Vida da Gente", ambos de 2011 e com pouco mais de 135 capítulos. Número bem diferente dos 221 capítulos de "O Cravo e A Rosa", sucesso exibido no início dos anos 2000. "O bom de contar a história em menos tempo é a possibilidade do autor desenvolver a trama de maneira mais objetiva, sem as famosas 'barrigas' que enfraquecem o trabalho", analisa Lícia Manzo, autora de "A Vida da Gente".
Na Record, mesmo antes do fracasso de "Máscaras" na audiência, Lauro César Muniz já reclamava dos mais de 200 capítulos recorrentes nas tramas da emissora. "É possível fazer uma novela menor e ter equilíbrio comercial. Nem o telespectador consegue mais se interessar e acompanhar novelas tão grandes", acredita Muniz. Seguindo os passos da Globo e seus "remakes" de novelas clássicas com duração de 70 capítulos – que estreou com "O Astro", em 2011 –, a Record prepara-se para lançar uma nova versão de "Dona Xepa". Enquanto a Globo, depois dos bons índices de "O Astro" e "Gabriela", vai investir na recriação do realismo fantástico de "Saramandaia", de Dias Gomes. "O trabalho mais curto e o horário das onze fazem a trama ficar mais ousada e livre. Trabalhar dessa forma é uma alegria para qualquer autor", avalia Ricardo Linhares, responsável pelo texto da segunda versão de "Saramandaia". (G.B.)

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