Francelino França
A noite de hoje é reservada a Frederic Chopin, compositor e pianista polonês, morto há 150 anos, fulminado pela tuberculose pulmonar. A exemplo do que acontece em salas de concertos de todo o planeta, o 19º Festival de Música de Londrina rende uma homenagem ao lendário compositor. Essa é uma das apresentações mais aguardadas do Festival.
Fora algumas obras de música de câmara, toda obra de Chopin é essencialmente pianística, onde se destacam valsas, noturnos, baladas, polonaises, mazurkas, estudos, entre outras. Os verdadeiros mestres do compositor são Bach e Mozart, mas no essencial de sua arte, ele não deve nada a ninguém, resguardando-se de qualquer influência, explorando ao máximo o piano.
Na apresentação de hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, quatro músicos se alternam na considerável obra do gênio polonês. Olga Kiun, pianista russa radicada no Brasil desde 1993, apresentará ‘‘12 Prelúdios’’. Ela ingressou no Conservatório de Moscou, passando pelo Conservatório de São Petersburgo, duas tradicionais escolas de música na Rússia.
No repertório da pianista, a preferência aos românticos é evidente. Olga Kiun se dedica também à área pedagógica, além de recitalista, camerista, solista de orquestra e professora convidada. O pianista romântico Franz Liszt, a propósito dos Prelúdios escreveu: ‘‘tudo na obra parece de inspiração imediata, de arrebatamento, de aparecimento súbito’’.
A música de Frederic Chopin é tocada por todos os grandes virtuoses. Por isso, sua obra é um desafio a qualquer artista. Vânya Elias, com a ‘‘4ª Balada’’ e ‘‘Noturno Opus 26, números 1 e 2’’, mostrará peças animadas por um profundo sentimento dramático. Vânya Elias foi agraciada várias vezes com medalhas de ouro como solista em concursos brasileiros e internacionais. Como bolsista do governo francês, realizou estudos de aperfeiçoamento com a lendária pianista Magda Tagliaferro.
O violoncelista polonês Zygmunt Kubala ressalta a importância do pianista na Polônia (Chopin nasceu em Varsóvia). Praças, avenidas, trem expresso e até vodka carregam o rótulo do grande mestre da música. Todos os poloneses, desde o motorista de táxi à dona de casa, discutem com desenvoltura a música de Chopin. Sem dúvida, ele é uma instituição cultuada naquele país. A cada quatro anos, um concurso agita salões poloneses, quando são escolhidos os maiores virtuoses de Chopin, numa competição acirrada. Os laureados têm as portas profissionais escancaradas.
Respirando Chopin, foi impossível para Kubala não se influenciar pelo mestre. ‘‘O violoncelo é o único instrumento, além do piano, no qual Chopin depositou atenção’’, resume o músico. Juntamente com Glacy Antunes, ele apresentará a ‘‘Sonata para Violoncelo e Piano Opus 65 (Sol Menor)’’. Kubala faz questão de registrar que a Sonata foi uma das últimas obras compostas por Frederic Chopin, revelando inovação e ousadia na técnica.
‘‘É uma obra extremamente fascinante. Talvez, para o leigo, não é tão fácil assimilar’’, pondera Glacy Antunes, pianista que registrou em CD a obra de Radamés Gnattali. Zygmunt Kubala resgatou também em CD músicas de grandes brasileiros, como Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Guerra Peixe, entre tantos experts.
•‘‘Noite Chopin’’, com as pianistas Olga Kiun, Glacy Antunes e Vânya Elias e o violoncelista Zygmunt Kubala. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos a R$ 2,00.

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