São Paulo, 16 (AE) - Assim como a marchinha "Cidade Maravilhosa" foi o hino não oficial do Rio de Janeiro (até que, rendidas, as autoridades o declarassem oficial), a valsa "Minas Gerais" ("Oh, Minas Gerais/ Quem te conhece não esquece jamais") é, continua sendo, o hino mineiro. Foi escrita há quase 60 anos pelo violonista, cantor e compositor José Duduca de Moraes, profissionalmente De Moraes, nascido em 1912 em Santa Maria de Itabira. Em 1997, De Moraes foi encontrado em Juiz de Fora, pobre, doente, esquecido.
Foi um grande nome da música mineira, figura exponencial do rádio, parceiro de Manezinho Araújo, de Zé Praxedis, de Antenógenes Silva (acompanhado por quem gravou a maior parte de seu discos). Escreveu centenas de músicas, sucessos regionais, alguns, nacionais, outros. Seu nome não consta da única enciclopédia da música brasileira. A Secretaria de Cultura de Minas, as prefeituras de Itabira, Juiz de Fora e Santa Maria de Itabira, a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e outros organismos e empresas particulares uniram-se para resgatar o legado de De Moraes.
Entre homenagens e auxílio financeiro, realizou-se uma compilação de 14 de suas gravações, feitas para a Odeon, nos anos 40. O CD "De Moraes" está sendo lançado pela Allca Music. Informações pelo telefone (031) 834-7182 ou pelo e-mail: [email protected]. A Odeon cedeu os registros de preciosidades como "Gavião do Mar", um lundu escrito com Manoelzinho Araújo - o parceiro, aliás, não por sua culpa, mas por fatores fortuitos, sempre ficou com as glórias dessa e de outras composições.
Importante registrar que "Minas Gerais" é adaptação de uma valsinha italiana, "Viene Sul Mare". Antes da letra em português de De Moraes, já havia recebido outra, do compositor e ator Eduardo das Neves, que saudava a chegada ao Rio de Janeiro, em 1910, de um encouraçado de guerra inglês. Mas o mais da obra de De Moraes é originalíssimo. Quadrilhas, rasqueados, modas, marchinhas (algumas ufanistas, no espírito de época, como a junina "Meu Balão", parceria com Zé Praxedis: "Olha lá o balão verde e amarelo/ Que belo, que belo").
A valsa "Partiu Meu Benzinho", de De Moraes e Izart, é uma das mais bonitas entre as obras-primas da música caipira. Ele teve programas de rádio, no Rio de Janeiro, formou famosas, duradouras e pioneiras duplas sertanejas (como a com Doquinha) e
com o tempo, como outros tantos, foi esquecido. Revive, agora, nesse resgate. (M.D.)

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