Obra de Poty é fragmentada
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terça-feira, 29 de janeiro de 2002
Nelson SatoReportagem Local 
Um gigantesco mural em madeira de Poty Lazzarotto (1924-1998) sofreu uma avaria estética neste final de semana. A obra Café e Etnias, que o artista curitibano projetou na década de 70 para ambientar o interior da agência da Caixa Econômica Federal em Londrina, ficará temporariamente dividida em duas partes.
Um dos painéis que compõem a peça permanece no mezzanino do banco. Mas o outro, que decorava o andar térreo, foi removido no último sábado por causa das reformas arquitetônicas em operação no prédio. Encontra-se, agora, acondicionado em caixas especiais no sub-solo da agência. Segundo o superintendente interino de negócios, Roberto Luiz Bachmann, o destino da obra ainda não está definido.
Talvez ela retorne ao prédio em outro espaço, talvez seja instalada em outra agência, ou ainda seja transportada para o acervo cultural da Caixa em Brasília. Não sabemos ainda diz ele. Além dessas hipóteses, há também a reivindicação da Secretaria Municipal de Cultura para que a obra seja doada à biblioteca da Zona Norte.
O mural, de 2,23 por 37m, foi feito sob encomenda em 1974. Avaliado em 1,5 milhão de reais, retrata a história do Paraná mostrando a saga do café, os trabalhadores rurais, índios, a flora e fauna e o próprio prédio da Caixa Econômica. A artista plástica Vilma Lúcia Coelho Colozzi, que também é funcionária da agência, concorda em encontrar um espaço mais adequado para abrigar a obra.
Há dois anos, a obra de arte de Poty foi tema de seu trabalho de conclusão de curso em Artes Plásticas. Ela lembra que as mudanças estruturais realizadas no prédio da Agência ao longo dos anos acabaram deixando a peça suscetível às mais variadas depredações. O local virou um ponto de passagem de pessoas e materiais. Antes das atuais reformas, eu já me irritava ao ver pessoas tocando os pés no mural diz.
A assessora de Comunicação da agência, Silvia Regina França, acrescenta que o painel já passou por duas restaurações. Uma criança chegou a rabiscar seu nome ali lembra. O secretário da Cultura, Bernardo Pellegrini, também viu com satisfação a retirada do mural. O motivo é que o fato poderá apressar as negociações em torno da possível doação da obra à comunidade.
Estamos ansiosos. O Poty fez um estudo de paisagem de Londrina e entalhou em madeira. É uma obra maravilhosa, mas que estava fragmentada naquele espaço. Gostaríamos de vê-la, com vista para fora, na biblioteca da zona norte. Seria uma exposição permanente argumenta. Em Londrina, além da Caixa, arte de Poty pode ser apreciada também no mural Lendas Brasileiras, instalado no Hotel Crystal.


