Obra de Isodore Ducasse se transforma em recital coreográfico na Funarte
São Paulo, 06 (AE) - Pouco conhecida no Brasil, a obra de Isidore Ducasse estará no palco em duas montagens distintas. A diretora Maura Baiocchi, havia utilizado a obra poética da autor, o Conde de Lautréamont, numa oficina de atores realizado no ano passado. Agora, volta ao texto com oito atores da Cia. Taanteatro para apenas seis apresentações, a partir de amanhã (07), do recital coreográfico "Os Cantos de Maldoror". O espetáculo será apresentado numa sala da Funarte, em São Paulo, local de onde parte o ônibus que leva o público para a montagem do mesmo texto realizada pela Cia. dos Satyros.
O espetáculo integra o evento "Transgressão", que vai reunir na próxima quarta-feira, às 20 horas, na Funarte, Maura Baiocchi, o diretor Rodolfo García Vázquez e o poeta e tradutor Cláudio Viller numa mesa redonda, aberta ao público, para discutir a obra do autor. Coincidência ou não, a peça de outro transgressor, "A Filosofia na Alcova", do marquês de Sade, também está em temporada na Funarte e o diretor do espetáculo, Marcelo Fonseca, estará presente ao debate.
Embora não tenha assistido ao espetáculo da Cia. dos Satyros, Maura Baiocchi garante que as abordagens são totalmente diferentes. "Nós não criamos uma ação dramática, por isso prefiro chamar o espetáculo de recital coreográfico". Apresentada em palco italiano, a peça divide-se em seis movimentos nos quais os oito atores - ora em duplas, ora em conjunto - representam de forma não-naturalista. "Procuramos valorizar os ritmos, as palavras, a sonoridade da extraordinária poesia desse autor", diz Maura.
Para a diretora, a aparente apologia do mal de "Os Cantos de Maldoror" é um jogo, uma estratégia de denúncia "Há momentos em que ele parece estar falando do maníaco do parque, em outros das guerras étnicas", argumenta. "É bom estar falando disso agora e a gente fala com muita raiva".





