Obra de Frida Kahlo vem ao Brasil
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998
Cassiano Elek Machado Agência Folha 
ReproduçãoFrida Kahlo: tristezas
da sua vida são mais
evidenciadas pelos biógrafos
do que as fases felizesPela primeira vez o Brasil olhará de perto para os olhos profundos e para as sobrancelhas espessas de Frida Kahlo. O argentino Eduardo Costantini, o maior colecionador de arte latino-americana do mundo, confirmou em entrevista por telefone em Buenos Aires (Argentina), que o Auto-Retrato com Macaco e Louro, tela da artista mexicana, estará em uma parede do Museu de Arte Moderna de São Paulo a partir do dia 4 de junho. Nenhuma tela de Frida Kahlo (1907-1954) passou pelas fronteiras brasileiras até hoje. A pintura em que a artista se retratou ao lado da macaquinha El Caimito e do louro Bonito rompe o tabu com estilo. A obra é a mais cara já produzida por um artista latino-americano. Costantini comprou a tela em um leilão na casa Sothebys, em Nova York, em maio de 1995, por US$ 3,2 milhões, selando um processo de explosão do valor das telas da artista mexicana que começou junto aos anos 80. Seis meses depois de comprar a obra de Kahlo, Costantini arrebatou para a sua coleção um dos maiores símbolos da arte moderna brasileira. Impulsionada por US$ 1,43 milhão, Abaporu, de Tarsila do Amaral, se mudou para Buenos Aires, onde o colecionador mora. Costantini garantiu que a obra de Tarsila, a mais cara produzida por um brasileiro, também estará no museu no parque Ibirapuera.
Abaporu e o Auto-Retrato de Kahlo virão escoltadas por uma centena de telas da coleção do financista argentino, de pintores como o uruguaio Joaquin Torres-García, o argentino Antonio Berni e os brazucas Di Cavalcanti e Portinari, em mostra que faz parte do cronograma de comemorações de 50 anos do MAM-SP.
Não é apenas o museu paulistano que recepciona Frida Kahlo. Um auto-retrato da pintora também aparece nas livrarias brasileiras. É o livro Cartas Apaixonadas de Frida Kahlo , recém-publicado pela José Olympio, a mesma editora que lançou em 1995 edição luxuosa do diário da artista.
A compilação de cartas de Kahlo não tem reproduções de pinturas, mas, de acordo com Costantini, que tem a edição em espanhol do livro, descreve perfeitamente o que era Frida. Sua paixão, seus sofrimentos e, com grande visibilidade, sua alegria .
A responsável pela compilação da correspondência da artista, a mexicana Martha Zamora, concorda com o diagnóstico traçado pelo colecionador. Em entrevista por telefone, da Cidade do México, Zamora salientou sua preocupação em não reproduzir apenas correspondências chorosas da artista. Frida teve uma vida intensa. Teve enormes dores, mas igualmente enormes felicidades , opina Zamora, autora da primeira biografia consistente da mexicana, The Brush of Anguish (O Pincel da Angústia). Como felicidade não vende, o seu lado sofrido costuma ser muito mais focado , acrescenta. A vida de Frida não foi só sofrida.


