Obra de arte de Deus
As águas do Rio Novo, que cortam o Parque Nacional do Jalapão, não têm piranhas e são um convite ao lazer. Nelas, além do rafting, há bons pontos para se nadar e para praticar o bóia-cross este, entre a Cachoeira da Velha e a Prainha. Há também uma trilha, no mesmo local, com direito a costeira (pedras na beira do rio) que exige um certo preparo físico. A placa diz que a trilha é nível 3 e que se gastam 250 calorias na atividade. Mas se você tiver que levar o seu colete salva-vidas (para a descida de bóia-cross) com certeza gastará mais calorias. Dez quilômetros após a Cacheira da Velha, o Rio Novo muda de nome para Rio Sono.
A Cachoeira da Velha tem forma de ferradura, com melhor visibilidade do lado oposto do rio. Para se chegar lá é obrigatória a presença de um guia. Primeiro, para ensinar o caminho no meio do charco, com direito a deslizes e atolamento de tênis (prefira ir descalço), mostrar o ponto certo para atravessar o rio, onde a correnteza te leva até a outra margem (quem não sabe nadar pode ir na canoa) e de lá, o caminho até a queda. Tanto esforço vale a pena, o espetáculo é uma verdadeira obra de arte de Deus. Quem sabe nadar bem pode se lançar no poço e conhecê-la por dentro.
As dunas alaranjadas, conhecidas como ''deserto do Jalapão'', são o cartão-postal do parque. É lá que o turista vai encontrar a verdadeira jalapa, a flor exótica branca que batiza o parque. Fontoura explica também que as dunas têm esta coloração devido a alta concentração de dióxido de ferro na aérea. As dunas ficam aos pés da Serra do Espírito Santo (formação de areia), bem próxima de uma formação chamada ''Saca Trapo''. Nesta serra, há uma formação conhecida como Mirante da Serra, ou Dedo de Deus, onde poucos aventureiros costumam escalar até seu cume.
Contornando-se a serra, e viajando até Mateiros, outro espetáculo da natureza cativa turistas e visitantes. Aliás, dois: o Fervedouro uma das nascentes do Rio do Sonoáá e a Cacheira da Formiga. Os dois são localizados em propriedades particulares e têm ingressos a R$ 2 cada.
O Fervedouro, uma versão mais selvagem da Areia que Canta de Brotas (SP), é um brinde à preguiça. Rodeado por bananeiras, suas águas mornas e transparentes reservam surpresas. Como é uma nascente, a água brota do fundo não deixando o corpo afundar. E, como em Brotas, a areia do Jalapão também canta. ''Basta pegá-la nas mãos e esfregar. Elas soam como cuícas'', ensina Fontoura. Depois de relaxar no Fervedouro, uma boa dica agora de Luciano Cohein, proprietário do Korubo é mergulhar no riacho ao lado. ''Para tirar a areia.''





