Diz a máxima do futebol que ''em time que está ganhando não se mexe''. Talvez por gostarem tanto do esporte bretão, por não se sentirem mais tão empolgados em busca de mudanças, pelas reações positivas dos fãs ou, enfim, simplesmente porque se sentem melhor assim, os irmãos Liam e Noel Gallagher limitaram-se a fazer em Curitiba exatamente o que fizeram nas praças anteriores nesta turnê brasileira de ''Dig Out Your Soul''. No show de domingo, no Expotrade, em Pinhais, mostraram que continuam sendo uma das maiores bandas da atualidade, só que em uma apresentação um tanto quanto robótica.
A palavra ''robótica'' pode parecer injusta para os fãs mais exacerbados. Só que basta lembrar de momentos dos shows anteriores desta turnê - seja o do Rio, o de São Paulo, ou, para ir mais longe, os de Buenos Aires - para dar certa razão a essa definição: o setlist, o bis, a cover dos Beatles... Tudo foi a mesma coisa, até as saudações (''Obrigado Rio, São Paulo, Curitiba...) e os comentários foram pasteurizados.
Isso, claro, não quer dizer que foi ruim. Eles só fizeram isso porque, no final das contas, talvez seja exatamente o que público de cada lugar queira ver. Ainda é empolgante ver de perto ''Rock'n'Roll Star'', emocionar-se com a versão mais calminha de ''Don't Look Back in Anger'', render-se a ''Wonderwall'' ou ter uma enérgica e convulsiva nostalgia ao lembrar dos momentos primais do Oasis em ''Supersonic''.
Só que a voz de Liam não é a mesma, ele parece se esforçar muito para cantar algumas músicas; os arranjos e a participação dos outros músicos são tão lineares que todo show parece a gravação de um DVD ''Ao Vivo''; a falta de criatividade na hora da montagem de repertório em cada praça somente reforça a sensação de que espetáculos criados especialmente para cinemas IMAX e 3D, como os de U2 e Iron Maiden, um dia vão substituir os artistas ''reais''.
Ah, sim a organização. As cerca de 12 mil pessoas que foram ao show experimentaram um Expotrade bem montado, com som de primeira e a usual demora para ida e volta, comum em shows desse porte. Enquanto a Pedreira Paulo Leminski - com melhor acústica, posição de palco e localização -estiver fechada, é com esse local que o público vai precisar se acostumar.
Segundo informações de bastidores, o show do Oasis teria sido um ''teste'' do que há por vir em relação a shows internacionais deste porte. O Rio, que não é conhecido como ''oásis do rock'' (com o perdão do trocadilho), está perdendo espaço para Curitiba. Então, mesmo com uma ''piada repetida'' pode-se dizer que a apresentação não foi importante apenas para os fãs. Foi também para abrir portas e ajudar a definir um melhor calendário de grandes shows por aqui, em menos tempo do que até o mais cético esperava. Agora é aguardar para ver.

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