As ambições estéticas se multiplicam. Improvisos instrumentais, texturas etéreas, guitarras indies e grooves de jazz pontuam o novo repertório da banda OAEOZ. Seu novo CD, ‘‘Take Um’’, será lançado hoje em Curitiba. O show começa às 21 horas no Auditório Antonio Carlos Kraide, no Centro Cultural do Portão.
‘‘Take Um’’ é o quarto trabalho do grupo, que comanda um selo independente e é responsável pela organização do festival ‘‘Rock de Inverno’’, já com duas edições na Capital. O disco foi gravado ao vivo reunindo 9 faixas – sete delas registradas num único show. Três músicas foram pinçadas de ‘‘Dias’’, o elogiado álbum anterior, que trazia influências de Mercury Rev, Morphine e Arnaldo Baptista.
As demais são inéditas. O OAEOZ foi gestado em 1997. De lá para cá, armazenou composições. A decisão de gravar um disco ao vivo surgiu a partir desse acúmulo e da dificuldade – comum a qualquer banda independente – para bancar um estúdio de gravação. ‘‘Temos mais de 50 músicas praticamente prontas. Achamos que o disco serviria para divulgar, a um custo baixo, um pouco dessa produção’’ – assinala o violonista e guitarrista Ivan Santos.
A banda mantém a formação original. Além de Ivan, conta com Igor Ribeiro (voz, violão, piano, teclado e trumpete), Rodrigo Bento (baixo) e Hamilton de Lócco (bateria). O novo disco traz participação dos músicos de jazz Marília Giller (piano) e Paulo Branco (sax tenor), ambos do grupo Sotaque.
Para Ivan, a presença do casal no CD foi a realização de um antigo projeto.
‘‘Sempre pensamos em tocar com músicos de jazz’’ – lembra. ‘‘Aliás, no começo, a gente brincava que queria tocar jazz. Mas como não sabíamos, acabamos caindo no rock. A Marília e o Paulo não fazem jazz de elevador e nem de fundinho de boate. Eles tocam jazz com atitude rock’’. No novo disco, o gênero inspira faixas como ‘‘You Look Like Rain’’ e ‘‘Texas Dream II’’, o que revela o amplo arco de influências da banda.
Ivan lembra que, há cinco anos, tais referências os colocaram à margem dos palcos curitibanos. ‘‘No começo, a gente se sentia sozinho na cena’’ – conta. ‘‘De um lado, havia o pessoal mais pop fazendo covers. De outro, haviam os guetos de rock com as turmas de hardcore, psychobilly e metal. A gente não se encaixava, se sentia esquisito. Foi difícil achar nosso público. Com o tempo, fomos conquistando espaço e conhecendo bandas que mostravam identidade própria e que também não seguiam modas e nem se fechavam no underground. Hoje temos a satisfação de organizar um festival anual só com essas bandas’’.
A terceira edição do Festival Rock de Inverno, aliás, está prevista para julho. A idéia, desta vez, é ampliar a programação convidando bandas de outras cidades. Tudo vai depender de patrocínio. ‘‘Estamos tentando intensificar o intercâmbio com outras regiões do país e até mesmo do Paraná. Curiosamente, temos mais contatos com bandas de Santa Catarina e Alagoas do que com bandas de Londrina ou Maringá. Queremos mudar isso’’ – diz ele.
Ainda em julho, provavelmente durante o Festival, o OAEOZ planeja lançar um CD e um vídeo com as gravações ao vivo do Rock de Inverno 2.
Serviço:
Hoje em Curitiba: show de lançamento do CD ‘‘Take Um’’, da banda OAEOZ. Local: Auditório Antonio Carlos Kraide (Centro Cultural Portão). Av. República Argentina, 3430. Horário: 21 horas. Ingresos a R$ 5,00.

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