O yin e o yang na alimentação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de maio de 2002
Célia MusilliReportagem Local 
Nos anos 60, movimentos em todo o mundo deflagaram ações em favor de um modo de vida alternativo. Na época, a alimentação ganhou um capítulo à parte sendo apontada como o bem ou o mal que entra pela boca. Em outras palavras, o que se come começou a ser visto como fator importante para levar as pessoas à saúde ou à doença. Mais de quarenta anos depois, a influência das dietas outsiders - sobretudo a vegetariana e a macrobiótica - ainda merecem pesquisas e determinam através das gerações um novo modo de vida.
Na trilha da alimentação saudável, o médico Mauro Perini - professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do único spa brasileiro que oferece os tratamentos da Medicina Tradicional Chinesa - escreveu um livro em que analisa o que se deve comer para equilibrar o organismo e restaurar a saúde. Terapia Dietética Chinesa, lançado recentemente na 17ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, é uma publicação do autor, impressa pela Edições Loyola, e mostra em 240 páginas os preceitos de uma cultura milenar que tem na alimentação a verdadeira fonte da vida.
Os hábitos da sociedade contemporânea têm gerado problemas exaustivamente enfocados na imprensa que revela, entre outras coisas, que o padrão médio dos norte-americanos é de pessoas obesas e sujeitas a doenças cardíacas e digestivas causadas pela ingestão de alimentos pesados. Para se ter uma idéia, um sanduíche vendido pelas redes mundiais de fast food é saturado de gorduras e pode ter cerca de 600 calorias, que crianças e adultos devoram em 15 minutos acompanhados de um copo digestivo de refrigerante.
O livro de Mauro Perini contraria as regras da vida moderna a partir da divisão de alimentos dentro das categorias yin e yang. É que os chineses, há milhares de anos, estudaram a energia dos seres vivos - incorporando-se aí a do corpo humano - chamando-a de Qi ou Chi. Para essa energia fluir, carregando a sáude ou a doença, os alimentos não podem conter excessos ou carências de substâncias yin ou yang. O sal, por exemplo, seria um alimento yang, enquanto o açúcar é yin. A partir dessa idéia, uma alimentação que carrega demasiadamente em qualquer um dos dois elementos provocaria distúrbios que podem ser controlados a partir da consciência do que se come. Os chineses também dividem os alimentos em cinco sabores - amargo, doce, salgado, ácido, picante - e todos têm seu lugar à mesa. Para eles também não existem comidas boas ou ruins, porque o princípio da sáude está fundamentado no equilíbrio energético.
No livro de Perini, nada é proibido. A pimenta-malagueta, de fama controvertida e incandescente, pode ser ótima para quem transpira pouco, sente fadiga ou está resfriado. Já a carne de porco, amaldiçoada por correntes religiosas e vegetarianos, é encarada pela dietética chinesa como capaz de umedecer a boca e combater tonturas. Como se vê, segundo essa ótica, não existem alimentos malditos, mas apenas alimentos que devem ser consumidos de forma equilibrada. Nisso reside a ciência de comer bem sem agredir o corpo.
Terapia Dietética Chinesa de Mauro Perini. Edição do autor. R$ 30,00. Pedidos pelo telefone (011) 4033-5311.


