A comemoração dos 30 anos de carreira seria um bom motivo para relaxar, tirar férias e viajar. Para a atriz Christiane Torloni, a efeméride coincidiu com pelo menos duas experiências inéditas em sua trajetória. Uma é que, pela primeira vez, ela está atuando em novela e no teatro ao mesmo tempo. A outra novidade é que, também pela primeira vez, ela está protagonizando um monólogo no palco.
A peça, no caso, é ''Mulheres por um Fio'', que será apresentada hoje (21 horas) e amanhã (19 horas) no Teatro Marista, em Londrina, com apoio da Folha de Londrina. O espetáculo estreou no ano passado com temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A concepção e direção é de José Possi Neto, com quem a atriz já trabalhou em outras cinco montagens. Torloni interpreta três personagens de épocas diferentes que têm em comum o telefone para mediar suas relações amorosas com os homens.
O primeiro quadro traz o texto ''A Voz Humana'', escrito por Jean Cocteau em 1930. O segundo é uma adaptação da crônica ''Um Telefonema'', publicada por Dorothy Parker na década de 50. O terceiro leva ao palco o texto ''Pour Elise ou Uma Mulher de Seu Tempo'', de Miguel Falabella. No intervalo entre as histórias, um telão exibe vídeos que retratam o percurso da mulher ao longo da história.
''A peça revela as reações femininas diante de situações distintas, descrevendo como o comportamento das mulheres não mudou ao longo do tempo'' diz a atriz. ''A montagem percorre três gêneros. O primeiro texto é um drama com final trágico, que apresenta uma mulher desesperada à espera da ligação do homem de sua vida. O segundo texto é uma farsa, uma espécie de cartoon, que mostra uma mulher bobinha aguardando um telefonema de um idealizado príncipe encantado. Já o terceiro texto é uma comédia, na qual uma mulher fala ininterruptamente em três celulares, ao mesmo tempo em que espera um homem tocar. Um homem que irá fazê-la feliz. Aqui há um humor ferino, de navalha, que faz as pessoas rirem do patético'' salienta.
Torloni observa que, embora a mulher seja o foco da montagem, a peça fala do homem porque é ele o objeto do desejo das três personagens. ''O público masculino se diverte tanto ou mais que a platéia feminina. Eles vêem nossas atitudes diante daquelas circunstâncias. É como se observassem do buraco da fechadura. Na verdade, a comunicação do espetáculo se baseia numa grande carga de humanidade. Não tem quem não tenha passado por alguma daquelas situações'' ressalta.
''Mulheres por um Fio'' é o primeiro monólogo da atriz. Quem acompanha sua carreira poderia citar ''Joana d'Arc, a Re-Volta'' (2001), mas ali havia cinco bailarinos no palco. Torloni foi convencida a atuar sozinha em cena pelo diretor José Possi Neto, parceiro de 16 anos, desde ''O Lobo de Ray-Ban'' (1989). ''Algumas pessoas vêem uma certa comodidade em trabalhar com o mesmo diretor'' nota ela. ''Penso diferente, porque estamos sempre nos desafiando um ao outro. Somos muito inquietos, percebemos que estamos crescendo. Já fizemos teatro-dança, teatro físico e teatro de costumes. Agora é uma junção de tudo. É nosso espetáculo mais difícil, mas é uma jóinha, uma caixinha poética''.
A montagem conta com cenários de Jean-Pierre Tortil, figurinos de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Freire e trilha musical de Tunica Teixeira. A peça tem apoio promocional da Folha de Londrina. Quem apresentar o bônus publicado no jornal, ganha um desconto de R$ 10,00 no preço do ingresso. Depois de Londrina, a atriz que também está brilhando como a Haydeé na novela ''América'' (Globo) segue em turnê para Curitiba, Porto Alegre, Caxias do Sul, Florianópolis e Belo Horizonte.

Serviço:
- Espetáculo ''Mulheres por um Fio'', com Christiane Torloni. Hoje, às 21 horas, no: Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 241), em Londrina. Ingressos: R$ 50,00 (Inteira), R$ 40,00 (com bônus da Folha de Londrina) e R$ 25,00 (aposentados e estudantes). Ponto de venda: Royal Plaza Shopping. Informações: (43) 3345-1414. Amanhã a peça será reapresentada às 19 horas.

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