O viking voador
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de março de 2010
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Está aberta a temporada 2010 de animações. E o primeiro título da safra é ''Como Treinar o seu Dragão'', que estreia hoje nos cinemas brasileiros. Fruto de um esforço de quase seis anos, o filme marca a volta da dupla Chris Sanders e Dean Deblois, diretores de ''Lilo & Stitch'' e roteiristas de ''Mulan''. Também inaugura a entrada definitiva do estúdio DreamWorks na era da tecnologia 3D, já que o longa tem cópias inteiramente produzidas para o formato.
Outra novidade é que, pela primeira vez, uma animação da companhia não tem como protagonista um bichinho ou um monstrengo - como em ''Shrek'', ''Madagascar'' ou ''Kung Fu Panda''. Aqui, o herói é um humano adolescente, o que dificulta ainda mais o trabalho dos técnicos. Mesmo assim, o resultado visual é incrível, com paisagens que beiram o real e cenas de voo vertiginosas.
O roteiro, no entanto, é extremamente convencional. Inspirado no primeiro título de uma série de livros da escritora inglesa Cressida Crowell, ''Como Treinar o seu Dragão'' conta a história de Soluço, um garoto que simplesmente não se encaixa na comunidade viking onde vive. Desajeitado e sensível, ele é motivo de piada no local e de constrangimento para o pai, o corajoso líder da Ilha de Berk.
A situação piora quando Soluço ingressa numa espécie de treinamento para matar os dragões que ameaçam o lugar. Ele até consegue, meio sem querer, capturar um deles, porém se vê incapaz de sacrificá-lo. Como era de se esperar, o menino se afeiçoa à criatura, a ponto de domá-la. E dessa amizade surge a chave para resolver o problema da comunidade.
Clichês à parte (e os filmes infantis são assim mesmo), o ponto fraco de ''Como Treinar o seu Dragão'' é a ausência daquele humor sarcástico típico das produções da DreamWorks. Sem as piadas, os adultos podem ficar um pouco entediados no decorrer da sessão. Em compensação, o design arrojado e as sequências de ação valem o preço do ingresso.
Sobre a versão em 3D, não há muito com o que se empolgar. Não que seja ruim, pelo contrário. Mas não tem, nem de longe, um décimo do impacto de ''Avatar''. Para os fãs da visão tridimensional, resta esperar por ''Alice no País das Maravilhas'', que chega por aqui abril.


