'O vice-campeonato seria uma derrota'
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sábado, 06 de julho de 2002
Reportagem Local 
Fala sério: você acreditava nessa seleção antes de ir para a Copa?
Muito. Tanto que no dia em que o Felipão fez a convocação dos jogadores, eu mandei para ele um buquê de rosas. É que eu gosto de gente persistente, corajosa, que acredita. Quando ele falou: ''eu quero deste jeito'', eu pensei comigo: ''esse cara vai construir uma grande família''. E conseguiu.
Faltou o Romário ou agora que já ganhamos o Penta tanto fez, como tanto faz?
Não, não. Gosto muito do Romário e acredito que ele poderia ter tido uma vezinha ali. Seria uma boa oportunidade para ele se despedir da seleção. Mas entendi que o Felipão estava fazendo aquilo que queria fazer. Teve muita coragem.
Você, que já foi madrinha da seleção, acredita que ainda hoje existe o chamado ''futebol-arte?''
Jogar futebol depende de duas pernas e uma bola. Continua a mesma coisa. O importante é que continuamos a ser arteiro, a fazer arte com a bola.
Você sofreu muito durante os jogos?
Ah, cara, eu me escondia, mesmo acreditando na seleção. Eu queria que passasse pela Inglaterra e passou. Depois fique com medo porque a seleção tinha que pegar de volta a Turquia... Enfim, me escondi mesmo de covardia. Um dia coloquei algodão no ouvido de tal forma que precisei de uma pinça para tirar. Foi um cocô in my life.
E a final, você assistiu?
Fui fazer esteira na academia que montei em casa. Corri como uma louca e só analisando de longe aqueles alemães sem cintura, aquela raça fazendo graça e querendo pegar nossos neguinhos. Preferi correr na esteira. Mas acho que foi o jogo mais fácil para o Brasil. Foi sofrido porque a gente queria ganhar, embora com a Turquia tenha sido mais sofrido.
Quem foi o melhor jogador para você nessa seleção?
Eu achei que o Ronaldinho foi aquilo que eu esperava. Orei muito pelo Ronaldinho Fenômeno, rezei muito a Deus porque eu sei o que é o sofrimento de você pensar que está inutilizado para o resto da vida. Gostei também do Roberto Carlos, do Cafu...
Pô, Elza, você gostou de todo mundo?
Gostei, ué?! A gente gosta porque tá vendo o Brasil lutando. Quem gosta de derrota, cara? Brasileiro ainda não aprendeu que ser vice também é uma vitória. O vice-campeonato para nós seria uma derrota do cacete. (A.M.J.)


