A cena é simples. Alguns meninos brincando de carrinho. No meio da brincadeira, um dos garotos encontra uma tampinha de garrafa escondida num canto. O objeto passa a ser considerado uma preciosidade. O garoto ao lado, com os olhos famintos, diz que a tampinha é dele. Havia perdido no dia anterior. Outro menino, do outro lado, afirma que tampinha é dele. Havia escondido naquele lugar dias antes.
Assim, todas as crianças reivindicam a posse da tampinha. A tampinha que, minuto antes, estava esquecida num canto. O bate-boca interrompe a brincadeira e termina em briga. Em pouco tempo tudo volta ao normal, a tampinha perde o valor e volta para o canto, esquecida.
Com certeza você já presenciou uma cena parecida com essa. Uma cena que mostra como os objetos não possuem um valor em si. São as pessoas que conferem valor aos objetos. Um valor que pode variar de acordo com o momento, com o interesse e com o contexto.
Em ‘‘Tatus Tranquilos’’, livro infantil lançado pela Companhia das Letrinhas, Florence Breton apresenta uma história que lembra muito essas cenas em que um objeto, aparentemente simples e inofensivo, gera discórdia e muita confusão.
Florence Breton conta a história de uma bando de tatus que viviam tranquilamente na floresta, calmos e afetuosos uns com os outros. Essa tranquilidade é abalada no dia em que um estranho objeto é encontrado pelo bando. Cada tatu inventa uma utilidade diferente para ele. Cada tatu exige a posse do objeto. Resultado: a disputa termina em pancadaria.
Depois de muita confusão, com o objeto praticamente destruído, os tatus percebem que estavam brigando por nada. Ou melhor, aquilo que todos atribuíam enorme valor, de uma hora para outra, havia se tornado uma coisa sem nenhum valor, uma coisa jogada num canto.
Os tatus fazem as pazes e juram nunca mais brigar por motivo tão bobo. Então a tranquilidade volta ao bando. Bem, para dizer a verdade, a tranquilidade resiste até o dia em que alguém encontra um outro objeto. Se você já participou de uma cena como essa, é capaz de imaginar o final da história.
Serviço: ‘‘Tatus Tranquilos’’, texto e ilustrações de Florence Breton, tradução de Odilon Moraes, Editora Companhia das Letrinhas, 36 páginas, R$ 19,50.

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