O valor das histórias
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quarta-feira, 01 de maio de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
A teledramaturgia brasileira surgiu junto com a televisão no País. E, com o passar do tempo, além de virar uma mania nacional, foi se desenvolvendo e se adequando às tecnologias e demandas do telespectador. Atualmente, a maioria das emissoras, em maior ou menor escala, investe em obras de ficção para compor sua programação. Cada uma delas, diante da hegemonia da Globo no assunto, encontrou um nicho específico para explorar.
A Record investe pesado nas minisséries bíblicas, enquanto o SBT aposta nas crianças como público-alvo e a MTV se prepara para lançar sua primeira série de dramaturgia. Já canais fechados, como Multishow e GNT, costumam firmar parcerias com produtoras independentes para rechear sua grade de obras de ficção. "Ao longo de todo o ano, criamos e produzimos coisas novas. A quantidade de ideias geradas dentro da Globo é impressionante e nossa missão é captar a atenção do espectador e surpreendê-lo com atrações de qualidade", afirma Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Globo.
A emissora carioca, aliás, tem como carro-chefe a teledramaturgia. Tanto que possui quatro horários fixos de novela e os seriados "Tapas & Beijos", "Louco Por Elas", "A Grande Família", "Pé na Cova" e "O Dentista Mascarado". Sem contar com a faixa das 23h durante alguns meses do ano em julho, estreia o remake de "Saramandaia" e a reprise de alguma trama no "Vale a Pena Ver de Novo". Este ano, ainda vai lançar, no segundo semestre, o policial "A Teia".
Na contramão do espaço dado às novelas pela Globo, a Record, por uma estratégia de programação, reduziu a teledramaturgia de sua grade. Atualmente, só exibe uma faixa de folhetim, com "Balacobaco", que será substituída por "Dona Xepa" em maio. No segundo semestre, vai ao ar "Pecado Mortal", primeira novela de Carlos Lombardi na emissora. Mas, por outro lado, os investimentos nas minisséries bíblicas são crescentes.
A primeira produção do gênero, "A História de Ester", de 2010, teve um custo de cerca de R$ 300 mil por capítulo. Três anos depois, a Record desembolsou em torno de R$ 850 mil para cada um dos 29 capítulos de "José do Egito". E já está em fase de pré-produção das próximas minisséries, "Os Dez Mandamentos", que deve ir ao ar em 2014, e uma sobre a vida de Jesus para 2015. Além de uma produção, ainda para este ano, intitulada "Os Milagres de Jesus", com 18 episódios. "Costumamos dizer que de 'A História de Ester' para 'Sansão e Dalila' subimos uns degraus. De 'Rei Davi' para 'José do Egito', demos um salto em qualidade e em atuação", constata Anderson Souza, diretor de teledramaturgia da Record.
O SBT sempre dedicou parte importante de sua grade para o público infantil com desenhos e seriados enlatados, sendo a única emissora aberta a investir tanto espaço de sua programação às crianças. E viu sua audiência subir com a novela "Carrossel", que vem conquistando dois dígitos no Ibope frequentemente, além de aumentar os lucros com os produtos da marca, como CDs, bonecas e cadernos. Por isso mesmo, a próxima empreitada dramatúrgica, o remake de "Chiquititas", também será focada no mesmo público. "Nosso público-alvo foi atingido. Tudo é projetado para que o êxito seja superior ao anterior, trabalhamos com os melhores equipamentos do mercado eletrônico", afirma Reynaldo Boury, diretor de teledramaturgia da emissora.
Segmentada, a tevê fechada investe cada vez mais em dramaturgia. Até mesmo para o público infantil. Como é o caso do Gloob, que foi lançado há um ano com a série "Detetives do Prédio Azul", que estreia sua terceira temporada em junho, e já prepara a obra de ficção "Gaby Estrella". "Entendemos que a dramaturgia é a principal forma de comunicação com a criança. Queremos contar boas histórias que contenham os valores do canal, atendam o nosso público-alvo e sejam viáveis", destaca Paula Taborda dos Guaranys, gerente de conteúdo e programação do canal.
Criar obras de dramaturgia em parceria com produtoras independentes é frequente nos canais fechados. Uma das vantagens da coprodução é a possibilidade de desenvolvimento de vários projetos simultaneamente. "Contamos com a estrutura, a experiência e os profissionais das produtoras", explica Mariana Koehler, gerente artística do GNT, que lança quatro séries inéditas este ano "Copa Hotel", "As Canalhas", "3 Teresas" e "Surtadas na Yoga" e exibe a segunda temporada de "Sessão de Terapia" que, por ter tido uma boa aceitação do público mais de 3,3 milhões de pessoas assistiram à produção , impulsionou o investimento em ficções do canal.
Já o Multishow volta seus produtos dramatúrgicos frequentemente para o humor, com séries como "Adorável Psicose" e "Morando Sozinho", entre outras. Mas "Uma Rua Sem Vergonha", nova série produzida em parceria com a Conspiração Filmes, será um drama sobre o dia a dia de garotas de programa de Copacabana. "Recebemos propostas de novos programas de diversas produtoras e também desenvolvemos algumas ideias internamente", conta Christian Machado, gerente artístico do Multishow.
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