A lealdade é um exercício sobre-humano que pode ser posto à prova diante da iminência de qualquer risco. Poucos têm a chance de testar esse valor e muito menos ainda são os que conseguem passar por este crivo.
Cada um tem o seu limite, mas enquanto alguns fazem de tudo para se safar e defender os seus interesses, outros como Simon, personagem do ator Vicent Lindon, no filme francês ''Bem-Vindo'' (Welcome, 2009), do diretor Philippe Lioret, arriscam a vida pela lealdade aos princípios humanos da liberdade, igualdade e freternidade - bandeira de uma revolução e que a própria sociedade francesa esquece em relação aos imigrantes. O longa estreia hoje, no Cine Com-Tour (veja programação de cinema na pág. 2).
Em ''Bem-Vindo'', o drama do imigrante iraquiano do Curdistão, Bilat (Fyrat Ayverdi), 16 anos, é ilustração à xenofobia aos estrangeiros e ao homossexualismo.
Bilat andou 400 quilômetros até chegar em Calais, cidade ao norte da França, com o objetivo de ir para a Inglaterra escondido num caminhão, encontrar a namorada e se tornar jogador do Manchester United.
O plano é descoberto. Sem saber nadar, o rapaz decide atravessar o Canal da Mancha. É aí que Simon, um professor de natação francês, quarentão classe média, divorciado, entra na história para ensinar o garoto.
Inicialmente com a intenção de impressionar a ex-mulher, Marion (Andrey Dana), uma ativista defensora dos direitos dos imigrantes, o professor se vê no limite de uma amizade.
No filme, a força que pequenas atitudes têm diante da tirania ou de qualquer outra situação que afronta os direitos humanos aponta para as coisas que podemos fazer na esperança de resolver algum problema e que, ao contrário, o caminho mais confortável é a omissão.
O longa estreou fora da competição oficial do Festival de Berlim, em fevereiro, vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico, dedicado a obras capazes de sensibilizar o público para questões sociais.
Ao estrear não passou incólume, gerando reações do Ministério de Imigração da França. Para o público, o enredo desperta pelo menos a interrogação sobre até que ponto somos capazes de pequenas coisas para defender o que julgamos certo.

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