Eduardo Bagnoli/DivulgaçãoEm Sousa, as pegadas reconstroem o movimento dos animais. Quando ele passaram por aqui, o chão deveria ser lama, que secou e depois foi solidificada.O Vale dos Dinossauros, idealizado por Steven Spielberg em ‘‘Jurassic Park’’ e ‘‘O Mundo Perdido’’ - a sensação cinematográfica do momento - não só existiu fora das telas de cinema; muito mais que isso, ficava no Brasil.
Há pelo menos 110 milhões de anos, tyranossauros rex, iguanodontes, pterodáctilos, ergossauros, alossauros, velociraptors e outros dinossauros viviam na Bacia do Rio do Peixe, interior da Paraíba. Um detalhe: diferentemente do famoso seriado ‘‘O Elo Perdido’’, nem mesmo na Paraíba eles chegaram a conviver com os homens.
Numa área de 40 hectares, foram encontradas 77 pistas de pegadas de animais quadrúpedes e bípedes, representadas em mais de 60 níveis, um recorde mundial. Outro recorde é a diversidade: 51 tipos de animais que andaram pela região. Além disso, o número de indivíduos, 552, supera o somatório de todas as pistas encontradas na América Latina.
O Vale dos Dinossauros fica próximo à cidade de Sousa, à margem do Rio do Peixe. Quando os animais passaram por lá, o chão deveria ser lama. Tempos depois, esta lama secou e, com os milhares de anos, foi sendo solidificada. Hoje, as pegadas estão marcadas nas pedras.
O Vale já é conhecido desde os anos 20. Inicialmente, os moradores acreditavam que aquelas imensas pegadas fossem de bois e emas. Mas identificar quem as deixou é apenas o começo. Cada grupo de dinossauro tem marcas distintas. A quantidade de dedos e formato revelam o tipo de animal. A profundidade, resgata seus últimos movimentos. As pegadas podem identificar também a rapidez com que se movimentava: aplicando fórmulas simples entre comprimento de passo e rapidez, os estudiosos inferiram, por exemplo, que os carnívoros andavam a mais de 45 km/h.
Pegadas submersas Como em um desenho animado, as pegadas vão reconstruindo o movimento dos animais. Com um pouco de criatividade, descobrimos que um tyranossauro corria, atrás de outro. Ao lado, um pterodáctilo andava lentamente, antes de alçar vôo. Três iguanodontes correm para a mesma direção, provavelmente em busca de uma presa. Em algumas pegadas é possível identificar, inclusive, as marcas das caudas e patas dianteiras de bípedes.
Sousa, o paraíso dos geólogos e paleontólogos, já foi capa de diversos livros no mundo. O sucesso foi tanto que, nas décadas de 20 e 30, as rochas foram cortadas e levadas para museus de Boston e Londres. Apesar da importância no cenário mundial, o local é praticamente ignorado pelos brasileiros. O Vale dos Dinossauros não recebeu sequer uma verba para mudar o fluxo do rio que cobre, e desgasta, as pegadas. De março a maio ele transborda deixando-as submersas. E os visitantes andam, tranquilamente, por cima de milhões de anos.
Várias teorias tentam explicar a extinção dos dinossauros no mundo. A mais aceita nos meios científicos é a do impacto de um imenso meteorito há 65 milhões de anos. Com 20 km de diâmetro e velocidade de 36 mil km/h, teria caído na Península de Yucatan, no México. O impacto do choque fez com que toneladas de rochas se vaporizassem e cobrissem a atmosfera. Essa espessa poeira barrou a entrada dos raios de sol. Sem luz, as plantas morreram. E, sem comida, os animais. Segundo cientistas, a cada 24 milhões de anos a Terra invade um campo de meteoros. Pelas contas, é mais fácil um deles cair sobre sua cabeça do que você ganhar na loto. Cuidado: toda semana tem gente ganhando na loto.
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