O programa Folha Cidadania promoveu semana passada seu último evento do, o Debatedores Mirins, cujo tema este ano foi "Brincadeira de criança e como lidar com as tecnologias". Três escolas de Londrina e região participaram levando cerca de cem alunos do quinto ano ao auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Os alunos Ruan Vidal e João Nilton Ramos Filho da Escola Rural Municipal Padre França, de Assaí; Rafaella Boni Paulena e Ana Clara Chaves da Silva da Escola Municipal Arthur Thomas, de Londrina; Kauê Henrique de Almeida e Vitor Gabriel Simões dos Santos da Escola Municipal Alvorada, de Cambé, foram os escolhidos para debater sobre o tema diante do público mirim.
Para se ter uma ideia do quão presente está a tecnologia na vida das crianças, a mediadora e jornalista da Folha de Londrina, Ana Paula Nascimento, iniciou o debate perguntando quem dali tinha celular. Praticamente todos levantaram as mãos, com pouquíssimas exceções. Em seguida, questionou os participantes sobre o que gostavam de fazer com os aparelhos. Uns mais, outros menos, a resposta foi bem parecida: os joguinhos lideraram em absoluto a utilização. Além dos jogos, os aplicativos de mensagens instantâneas e músicas ficaram entre os mais usados. "Gosto ficar no WhatsApp, no Facebook e jogar", disse Kauê Henrique de Almeida. Já João Nilton Ramos Filho comentou que usa muito o celular para conversar com os parentes de São Paulo. "Gosto de falar com meus tios e primos."

O uso da tecnologia na infância
O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância O uso da tecnologia na infância


Levando em consideração que a maioria absoluta já possui um celular na idade média de 10 anos, a mediadora perguntou se os pais colocam limite para a utilização do aparelho e como o fazem. "Minha mãe fala para meu irmão deixar de usar o celular, mas daí, ele vai para a frente da televisão. Eu também faço isso, porque não temos muito onde ficar", contou Ana Clara Chaves da Silva. Rafaella Boni Paulena também confessou que não recebe muito limite de tempo e disse já ter ficado madrugada adentro no celular. "Quando fiz isso, acordei bem cansada e com sono no outro dia." Ao contrário das colegas de mesa de debate, Ruan Vidal contou que dificilmente usa o aparelho. "Não gosto muito de jogos, nem de WhatsApp. Prefiro brincar com meus amigos", garantiu.
Aproveitando a 'deixa' de Ruan, a mediadora questionou a respeito das brincadeiras e como classificariam sua infância daqui a dez anos, considerando que são de uma geração que nasceu em meio aos eletrônicos. "Vou dizer que jogava muito futebol. Uso pouco o celular ou videogame; não sou 'viciado'. Geralmente, saio para brincar com meus amigos quando não estou estudando", defendeu Kauê.
Ele foi além e disse que, apesar dos pais imporem limite de tempo de uso, ele próprio acha importante ter equilíbrio. "Muitas crianças estão desenvolvendo problema de obesidade por ficarem apenas na frente do computador e deixarem de correr. Também tenho um amigo que baixou um jogo no computador e não brinca mais na rua porque prefere ficar sozinho dentro de casa. Acho que isso não é bom."
A mediadora aproveitou e abordou o tema exposição na internet. Diante do tempo maior que as crianças estão se expondo aos eletrônicos, sobretudo com acesso à internet, abre-se uma porta para pessoas mal intencionadas. Com relação a isso, os debatedores demonstraram estar informados e bem alertas. "Acho errado a pessoa se expor ou mandar fotos para qualquer pessoa, porque não se sabe quem está do outro lado. É muito perigoso marcar um encontro; pode ser um ladrão, um sequestrador ou um pedófilo", ponderou Ana Clara. Vitor Gabriel Simões dos Santos disse que só conversa com pessoas conhecidas, como familiares e amigos. "Nunca recebi e nem compartilhei nada que não pudesse", garantiu.

PLATEIA
A participação da plateia foi intensa, com relatos e questionamentos pertinentes. Um deles foi de um aluno que indagou os debatedores sobre a relação entre estudos e tecnologia. "Quando eu vou fazer a tarefa, aquele é o momento da tarefa. Não mexo em nada", contou Kauê.
Vitor também disse que faz a tarefa junto com a mãe e não usa nenhum tipo de eletrônico. "Sou proibido de levar o celular para a mesa." Ana Clara relatou que só usa se tem que pesquisar algo. "Quando preciso de uma pesquisa ou saber o significado de uma palavra, a internet ajuda muito. É mais rápido que achar no dicionário."
Sobre as influências, negativas e positivas, que a informações da internet e os jogos podem ter sobre as crianças, os debatedores mostraram-se bem atentos. "Tem criança que leva muito a sério e quer ser o personagem do jogo. Aconteceu um caso em São Paulo de um menino que jogava muito. Um dia ele ficou bravo com os pais, matou os dois e depois se matou", disse João Nilton. Um dos jogos mais comentados entre os debatedores foi o GTA, que consiste atirar em gangsteres perigosos, roubar carros de civis inocentes e cometer vários delitos. No entanto, Kauê lembrou que os jogos podem ter um lado positivo. "Existe um jogo para Kinect, em que a pessoa tem o controle do console com o próprio corpo. É bom que dá para se movimentar bastante", concluiu.

O PROGRAMA
Realizado desde 1993, o Programa Folha Cidadania atualmente está sendo realizado em 114 escolas de 7 cidades (Londrina, Assaí, Cambé, Jataizinho, Rolândia, Alvorada do Sul e Umuarama), atingindo diretamente 9.663 alunos e, indiretamente, 26.405 alunos. Em 2015, o programa contou com o patrocínio da Folha de Londrina, Construtora A.Yoshii, Instituto Atsushii e Kimiko e Sicredi. Os apoiadores deste ano foram Biblioteca Municipal de Londrina, Embrapa Soja, Casa da Vila, Promic, Transporte Grande Londrina, Jabuti Lazer e Conhecimento, Bella Madre e Sucos Natú. O concursos culturais tiveram apoio da Bumerang, Ciranda Brinquedos, Sebo Capricho, Basic Denim, Restaurante Zanoni, Restaurante Brasiliano, Pastel Mel, Café Deon e Casa de Bolos.

mockup