O universo Iorubá em cena
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Francelino França<br> Reportagem Local 
O universo sentimental dos Orixás é tumultuado. E quando se trata de um duplo triângulo amoroso o efeito explosivo põe a mostra a cólera divina e o desequilíbrio humano. ''Iansãxangô'', um dos raros textos teatrais a incursionar pelo universo Iorubá, apresenta a relação entre Ogum-Iansã-Xangô e Iansã-Xangô-Oxum. Os Orixás deixaram um inesgotável legado das manifestações da natureza, ainda a ser explorado no teatro.
''Iansãxangô'' será apresentada de hoje até dia 20 de outubro (sexta, sábado e domingo), no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina. Trata-se de uma remontagem, com a direção de Rodrigo Fregnan e com texto e concepção geral de Adriano Garib.
A peça foi idealizada e produzida por Vilma Santos Oliveira, Mãe Mukumby, ialorixá londrinense representante do Projeto Pró Ranti, da Coordenadoria de Extensão à Comunidade da UEL, projeto que valoriza e preserva a cultura negra.
O autor apresenta três lendas do universo Iorubá e selecionou da mitologia africana os Orixás mais temperamentais, ou seja, os mais teatrais. Tal como nós, eles são seres passionais, ciumentos, irados, frágeis. Ogum, Iansã, Xangô e Oxum assumem suas fraquezas humanas. Nessa segunda leitura da peça, não se evidencia a caracterização ritualística. Rodrigo Fregnan observa que na remontagem a possibilidade de aprofundamento dos personagens é maior. Alguns signos referentes a cada Orixá foram incluídos na nova versão.
Num dos episódios da peça, o vaidoso Xangô visita seu irmão Ogum, Orixá de natureza guerreira, e conhece Iansã, esposa de Ogum. Xangô envolve-se numa paixão arrebatadora, levando-a com ele. Em outra história, a vaidade exacerbada de Xangô é colocada em evidência. Numa determinada guerra, ele emite um grito ensandecido que consegue acabar com tudo ao redor. Iansã se desespera com a morte precoce do amado, e vê como única saída levá-lo para o mundo dos mortos.
''Iansãxangô'', texto de Adriano Garib, direção de Rodrigo Fregnan. Hoje, às 21h00, no Teatro Zaqueu de Melo. Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia entrada). Elenco: Sérgio Mello (Xangô), Maria Amélia Melo (Iansã), Rodrigo Fregnan (Ogum), Juliana Milani (Oxum). Música original de Daniel Belquer.


