O ÚLTIMO
DISCURSO
Denise Stoklos
apresenta
‘‘Desobediência
Civil’’, hoje e
amanhã, em Maringá
Celina Alonso Az

:Arquivo FolhaDenise Stocklos, em cena de ‘‘Desobediência CivilO que pode acontecer nos últimos minutos que antecedem a meia-noite do ano 2000? Em forma de reflexão espiritual da humanidade, as idéias escritas pelo filósofo norte-americano Henry Thoreau são apresentadas pela atriz Denise Stoklos. O espetáculo ‘‘Desobediência Civil’’, uma performance-solo que conclama a uma desobediência a todas as manifestações conformistas, é atração hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Calil Haddad, em Maringá.
Segundo Denise Stoklos, este trabalho que ela estreou mundialmente em Irati, no final do ano passado, mostra o momento em que as idéias do revolucionário escritor Henry Thoreau, inspirador de Ghandi e de Martin Luther King, se tornam o último discurso de homem no final do milênio.
‘‘Um clamor à preservação da natureza, exterior e interior, à interação entre elas, à não-separação entre o solo da Terra e a carne dos corações’’, define a atriz, que é co-autora do texto e diretora do espetáculo. Na sua concepção, este trabalho reporta-se à vida contemporânea - tal como permitem os clássicos - e assim visualiza a cabana de moradia do autor como o apartamento do prédio em que se mora contemporaneamente: ‘‘Seu lago onde nadava pela manhã como as ruas movimentadas que se cruza, e suas noites de meditação como as épocas batendo à porta para renascer em novo tempo, em aurora’’, explica Denise Stoklos.
Henry Thoreau nasceu em julho de 1817, nos Estados Unidos. Morou às margens do lago Walden numa pequena casa do amigo Ralph Waldo Emerson. Ali escreveu o manifesto ‘‘Desobediência Civil’’, ‘‘Walden’’, ‘‘Cape Cod’’, ‘‘The Maine Woods’’ e morreu em maio de 1862.
Natural de Irati, no Paraná, onde começou sua carreira nos anos 60, Denise Stoklos é talvez a atriz, autora e diretora do teatro brasileiro que mais apresentou seu trabalho pelo mundo - em mais de 30 países, por onde fez turnês com quase todas suas montagens. Ela representa em sete idiomas, escreveu mais de 20 peças e tem sete livros publicados. Foi a primeira atriz brasileira a subir no palco de um teatro em Moscou, Pequim e na Ucrânia. Em 1977 mudou-se para Londres, onde começou sua carreira de solo-performer. Retornou ao Brasil apresentando-se, ensinando e coreografando. Seu ‘‘Teatro Essencial’’, linha de trabalho que privilegia a combinação de um teatro corporal e verbal voltado às reflexões humanistas, já foi estudado em diversas teses de mestrados por universidades brasileiras e americanas. Depois de Maringá, ‘‘Desobediência Civil’’ será apresentado no Teatro La Mamma, em Nova York.
• Desobediência Civil - de Henry Thoreau, com Denise Stoklos, hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro Calil Haddad. O espetáculo faz parte das comemorações do aniversário de Maringá. Ingressos R$ 15,00.

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