Obcecado com uma peça sobre o último condenado à pena de morte no Brasil, um diretor de teatro sofre com o fracasso, que o deixa atormentado. Eis o ponto de partida do filme ‘‘Sem Controle’’, dirigido por Cris D’Amato e que recentemente esteve em cartaz nos cinemas e agora chega em DVD, pela Fox.
  A peça trata de um assunto real: em 1855, o fazendeiro Manuel da Motta Coqueiro foi acusado de matar a família inteira de Francisco da Silva. Após seu enforcamento, levantou-se a suspeita de que ele era inocente, levando o imperador d. Pedro II a repensar a manutenção da pena de morte. Convidada a rodar um filme, Cris D’Amato (que antes havia participado de 29 produções como assistente de direção) aceitou, desde que pudesse trabalhar a história em dois tempos, passado e presente.
  Cris confessa que não queria estrear na direção com um filme histórico, ainda mais sobre um fato tão importante como a extinção da pena de morte no Brasil, mas ficou curiosa e acabou sendo conquistada pela história. ‘‘Encontrei uma personagem rica e com uma vida conturbada que me fascinou, e uma esposa que enlouqueceu após a sua morte. O que está na tela não é uma encomenda, mas uma assinatura’’, diz. Com Eduardo Moscovis no papel do diretor à beira da loucura, ela realizou um interessante suspense.
  ‘‘O problema da história de Motta Coqueiro é que nunca se descobriu o que realmente aconteceu. Coqueiro foi acusado de um massacre de colonos em suas terras, e sentenciado à morte por isso, mas até hoje os historiadores não têm certeza se ele foi realmente culpado. Nós não queríamos bater um martelo, inventando uma resposta. Assim, decidimos trabalhar com um história-espelho. ‘‘Sem Controle’’ é a história de um homem tão obcecado com a figura de Motta Coqueiro que as vidas dos dois acabam se cruzando de uma forma inusitada’’, conta a diretora.
  Outro fator interessante no filme é a trilha sonora, um fator importante que trabalhou com três fontes musicais. O grupo Harmonia Enlouquece, que é composto por pacientes do CPRJ (Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro), colaborou com uma canção que eles próprios interpretam dentro do filme, ‘‘Sufoco da Vida’’. A Banda Sincrônica entrou com um ritmo dançante e Pedro Bernanrdes assinou a trilha original, que ressalta as diversas atmosferas da história.
  A diretora conta que acredita muito em ensaios. Nada de surpresas e improvisos em cena. Essa é uma das receitas de Cris para trabalhar a ‘‘loucura’’ de Moscovis. ‘‘Procurei estimular os atores a pesquisar, trocar informações, fazer trabalhos corporais, e colocar as falas nas suas embocaduras. Visitamos alguns centros psiquiátricos que serviram como laboratório na formação das características das personagens’’. Satisfeita com o resultado, ela não poupa elogios ao esforço do protagonista: ‘‘A personagem do Eduardo começa numa crise que desencadeia a história, e no final é levada pelos pacientes da clínica a retornar ao ponto de partida. Ou seja, tínhamos uma curva de personagem com início e fim no mesmo diapasão, em cenas filmadas com quase um mês de intervalo. Só um ator com a disciplina e a dedicação do Eduardo conseguiria realizar isso com tanta competência’’.

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