O turco Orhan Pamuk vence Nobel de Literatura
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quinta-feira, 12 de outubro de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A lista de especulações trazia nomes como Philip Roth, Mario Vargas LIosa, John Updike e até Bob Dylan. Quem levou o Nobel de Literatura, porém, foi o escritor turco Orhan Pamuk. Seu nome foi anunciado ontem pela Academia Sueca, que premia o vencedor com 10 milhões de coroas suecas (1,1 milhão de euros ou US$ 1,35 milhão).
Pamuk, 54 anos, é um dos principais autores de ficção de seu país. Entre os livros que publicou destacam-se Cevdet Bey e seus filhos (1982), A Casa do Silêncio (1983), O Castelo Branco (1985), O Livro Negro (1990), A Vida Nova (1994), Meu Nome É Vermelho (1998), Neve (2002) e Istambul: Memórias e a Cidade (2003).
Ao prestígio como escritor corresponde a fama de intelectual rebelde, o que lhe valeu uma passagem recente pelos tribunais, sob acusação de ofender a identidade da nação. Tudo por conta de uma declaração a um jornal suiço, na qual dizia que um milhão de armênios e 30 mil curdos foram assassinados nestas terras e ninguém, exceto eu, se atreve a falar do tema. Pela tagarelice, sofreu ameaças de morte.
Pamuk transporta para a obra a realidade de sua terra, abordando temas como a divisão entre a tradição (Islã) e a modernidade (secularismo) e as tentativas da Turquia para tornar-se um país plenamente europeu. Nascido no dia 7 de junho de 1952 em uma família rica e ocidentalizada, o romancista abandonou seus estudos de arquitetura aos 23 anos para se dedicar à literatura.
Publicou seu primeiro romance premiado, Cevdet Bey e seus filhos, em 1982. Ontem, o júri do Nobel afirmou que Pamuk, na busca pela alma melancólica de sua cidade natal, descobriu novos símbolos para o combate e a mistura de culturas. No Brasil, seu livro mais conhecido é Meu Nome É Vermelho, seu sexto romance. No ano passado, ele esteve no País participando da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro.
Confira os ganhadores do Novel nos últimos anos
- 2005: Harold Pinter (Inglaterra)
- 2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
- 2003: John Maxwell Coetzee (África do Sul)
- 2002: Imre Kertész (Hungria)
- 2001: VS Naipaul (Grã-Bretanha)
- 2000: Gao Xingjian (França)
- 1999: Gunter Grass (Alemanha)
- 1998: José Saramago (Portugal)
- 1997: Dario Fo (Itália)
- 1996: Wislawa Szymborska (Polônia)
- 1995: Seamus Heaney (Irlanda)
- 1994: Kenzaburo Oe (Japão)
- 1993: Toni Morrison (Estados Unidos)
- 1992: Derek Walcott (Santa Lucía)
- 1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
- 1990: Octavio Paz (México)


