‘‘O tubarão está no ápice da cadeia alimentar e tem um papel muito importante na ecologia marinha, ele está na Terra há aproximadamente 350 bilhões de anos, há fósseis que indicam esta época. Desde que apareceram no Planeta, sua forma pouco modificou, eles têm cartilagem e órgãos reprodutores pares. Eles sobreviveram a era dos dinossauros e agora algumas espécies correm o risco de ser extintas pelo homem, que é cerca de seis vezes mais recente’’, diz o pesquisador científico do Instituto de Pesca (Santos) e professor de pós-graduação na área de peixes cartilaginosos da Unesp, Alberto Amorim.
‘‘Algumas espécies de tubarão demoram muitos anos para atingir a maturação e poder reproduzir, e o que acontece é que a maioria desses bichos é capturada pela pesca muito jovem’’, informa o persquisador. O tubarão-baia (Carcharhinus leucas), por exemplo, leva até 18 anos para atingir a maturidade. Mas os tubarões não estão sozinhos, existe uma Convenção Internacional de Comércio de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora constituída por 132 países chamada CITES (Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora), que faz uma lista de todos os animais que são comercializados e estão em perigo.
Proteção ‘‘Com o apoio dos países industrializados eles acabam com esse comércio’’, explica. Nesta lista há três grandes tubarões: o branco, o baleia e o peregrino, os dois últimos não são carnívoros, apenas se alimentam de micro-organismos, ‘‘zooplancton’’ e pequenos peixes. No Brasil, há a Sociedade Brasileira para Estudos de Elasmobrônquios (SBEEL), uma associação que pesquisa os tubarões e as raias, que já conta com aproximadamente 120 pessoas. O professor alerta que se os tubarões acabarem poderá haver uma catástrofe. ‘‘Se você tira o predador, a população das presas aumenta muito, cresce desordenadamente e, em pouco tempo, pode não haver alimento disponível para todas as presas. Portanto, elas podem morrer de fome repentinamente.
Mas por que será que os tubarões atacam as pessoas? Professor Amorim tem esta resposta: ‘‘O homem não está na cadeia alimentar do tubarão, o que ocorre é um desequilíbrio na ecologia marinha. Antigamente, só os pescadores e os náufragos eram atacados, mas também só eles permaneciam longas horas no mar. Hoje em dia, há vários esportes no mar, como surfe, body boarding, windsurfe, mergulho, entre outros. Lógico, o tubarão é um predador com os sentidos muito aguçados, a uma longa distância ele vê, ouve e cheira uma presa no seu território, ele não sabe que é um homem e aí ataca. Mas é quatro vezes maior a probabilidade de um raio cair na sua cabeça do que ser morto por um tubarão’’.
Agora, se por um acaso do destino você for o premiado, o professor faz um alerta: ‘‘Se você estiver na água e ver um tubarão, recomendo sair o mais rápido possível, não esperar que ele se aproxime, mas não faça movimentos bruscos. Se estiver mergulhando, suba para o barco’’. Preste atenção, no Brasil há várias espécies de tubarões, inclusive uma que entra nos rios, o tubaraão-baia, que já foi encontrado em Manaus.
q Em Busca dos Grandes Tubarões - de Lawrence Wahba. Abril Vídeo/ fone 0800 150150
q Sociedade Brasileira para Estudos de Elasmobranqueos - Av. Bartolomeu de Gusmão, 192. CEP. 11030 906 - Santos SP

mockup