Se um estudioso da música percorrer a América Latina em busca de talentos do trombone, vai descobrir que o Brasil é um oásis sonoro no deserto. Isso porque na Argentina não há nem sombra do instrumento; no Chile é a mesma coisa; no Peru não sabem ao menos pegá-lo e do Uruguai veio um estudante ‘‘pedindo luz’’ aos professores brasileiros.
Os anos-luz que separam o País dos demais no que se refere ao instrumento ‘‘brincalhão’’ como entendem os profissionais, tendem a aumentar porque o trombone está ganhando um status de requinte cada vez maior com a realização dos encontros Latino-Americano e Brasileiro de Trombonistas. A evolução pode ser medida a olhos vistos, afirmam os profissionais.
Desde ontem eles estão reunidos em Curitiba, numa promoção da Associação Brasileira de Trombonistas e Secretaria de Estado da Cultura, e pelo astral reinante no Canal da Música, o empreendimento vai de bem a melhor.
De acordo com João Paulo Moreira, da Orquestra Experimental de Repertório, de São Paulo, o objetivo é buscar uma padronização do ensino do trombone no Brasil, utilizando-se as técnicas internacionais. Com isso pretende-se uma uniformidade na execução além de promover a união da classe.
Um dos mais populares instrumentos musicais – ele está presente desde as orquestras sinfônicas às bandas de cidadezinhas do interior –, é marca registrada na cultura brasileira. ‘‘A gente o encontra na gafieira, no chorinho, no samba. Ele é muito brincalhão’’, explica Wagner Polistchuk, primeiro trombonista solo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Marcelo Bambam, professor do Conservatório de Música de Tatuí, atenta para um detalhe: a literatura para o trombone é muito grande, e tende a aumentar ainda mais, pois é grande o número de composições novas que estão surgindo, especialmente para trombone e piano. Polistchuk acrescenta há um elemento nacionalista nessas obras. Os autores acrescentam pitadas de maxixe, frevo, baião, elementos do folclore. Com isso a diversidade musical torna-se ainda mais rica.
Quem quiser ver de perto o que está acontecendo na área poderá ir hoje ao Canal da Música, em Curitiba. Às oito e meia da noite tem início apresentação com Bambam, Radegundis Nunes, Paulinho, Renato Farias e Quarteto da Paraíba. O espetáculo que reúne alguns dos mais brilhantes instrumentistas brasileiros, tem entrada franca.

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