Quer aprender a ser um megastar em algumas lições? Há algumas alternativas e uma delas é conferir o espetáculo mais recente dos americanos Blue Man Group, um apanhado de sátiras e condições irreverentes para se tornar uma estrela do rock. Tendo como base um desses vídeos propositalmente picaretas (assim espera-se) que vendem produtos que prometem milagres, o trio de homens azuis, acompanhado por uma banda ''de verdade'', ensina a se tornar uma estrela em quase duas horas de espetáculo. São lições básicas, como balançar a cabeça e as mãos em cadência e aprender a fazer o sinal de heavy metal, um símbolo baseado em um palhacinho decadente que lembra o Bozo.
Todas essas lições estão no espetáculo ''How to Be a MegaStar 2.0''. (Como ser uma superestrela 2.0) que teve apresentações em São Paulo e encerra temporada brasileira hoje, no Rio de Janeiro. É o mais recente espetáculo do grupo americano que começou alternativo e virou indústria com direito a apresentações fixas em oito cidades, com produções surprendentes. Desde que começaram a se apresentar nos pequenos bares de Nova York, já se passaram duas décadas, o que fez com que os integrantes do Blue Man Group se aprimorassem no jeito muito peculiar de criar os seus shows. Com os rostos pintados de azul brilhante e sem falar uma palavra, eles misturam música, performance e piadas universais.
''Trabalhamos com a linguagem corporal, que todo mundo entende em qualquer país'', contou Brian Scott, integrante há 13 anos do BMG e que deu coletiva no Rio de Janeiro antes de um espetáculo fechado para convidados, na última terça-feira. Para este show. a ideia foi satirizar os espetáculos - e os artistas - de rock, mas também fazer uma homenagem ao gênero. ''Quando éramos crianças, sempre queríamos saber como era estar dentro de um show de rock. Levamos essa sensação de surpresa para o palco'', conta.
Acompanhado por nove músicos, eles mostram que até os estranhos personagens azuis podem ser um sucesso na indústria de entretenimento se usarem a fórmula ''certa''. A tradução de todo o vídeo que permeia o espetáculo, assim como as legendas das músicas projetadas no imenso telão mostram que o grupo já está acostumado a se apresentar nos mais diversos países. Eles tem ''franquia'' até em Tóquio e Berlim. E em cada país levam um pouquinho da cultura local para o palco. No Brasil foi a vez de Roberto Carlos ser homenageado (com a música 'Detalhes'') e o hit ''Pra Frente Brasil'', de Miguel Gustavo, hino da Seleção Brasileira de 1970.
Na nova montagem que está percorrendo o mundo, os três homens azuis além de reconstituirem atitudes, trejeitos e coreografias do universo pop, contam com a interação da plateia para dar animação garantida ao espetáculo. Fórmula conhecida, certo? Mas eles mesmos se permitem satirizar-se usando a tática no show. É diversão e entretenimento, mas os homens azuis também mostram um certo talento na hora de tocar. Foram eles, por exemplo, que ''inventaram'' a parafernália de tubos que vira um potente instrumento. ''No começo tinha quatro notas, agora já tem 20'', conta Scott.
Ele, aliás, não cansa de responder a pergunta que lhe fazem pelo mundo afora. ''Por que azul?''. Scott revela que na hora de escolher uma cor para diferenciar e dar identidade aos personagens, o grupo decidiu pela neutralidade do azul, já que o verde remete aos marcianos e o vermelho soa meio diabólico. ''O azul é mais neutro e sereno''.
Mas a serenidade fica só na aparência. De perto, os homens azuis não são normais. Provocam a plateia e são capazes de interações constrangedoras. ''Não fazemos mais isso, não molhamos mais a platéia e nem tingimos ninguém de azul, isso ficou no passado'', brinca Scott. Mas no começo do show, por precaução, a produção distribui capas de chuva para as primeiras filas, para que ninguém seja pego de surpresa pela água abundante que sai dos tambores em determinada cena da montagem. Percussão e luz, aliás, é a grande sacada do espetáculo, que utiliza uma premissa básica da comédia: não dá para criticar, eles já o fazem em cena.
* a repórter viajou a convite da Operadora Tim.

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