Fazia muito tempo que significativa parcela da população do Norte do Paraná
não sentia tanta felicidade. Falo do restabelecimento dos serviços ferroviários na região. A alegria voltou principalmente ao rosto dos que viajaram de trem e há mais de vinte anos esperavam que isso voltasse a acontecer. Enquanto a locomotiva resfolegava, os passageiros iam mais longe: sonhavam com máquinas elétricas no lugar da ‘maria-fumaça’ e, mais tarde, diesel. Já era a conquista de uma vitória.
Era uma festa para os passageiros aquele ambiente aconchegante. Sempre houve episódios pitorescos vividos por eles próprios. Num canto, um sanfoneiro tirava melodias inesquecíveis e quase sempre surgia um cantor de banheiro,
que nem sempre agradava a maioria. Mas eles percebiam que ainda estavam crus e apresentavam ao músico outro cantor. Curiosidade: enquanto escurecia os passageiros demonstravam cansaço e iam se ajeitando.
Alfredo comentou a indelicadeza de um companheiro de viagem, que sequer participara de bate-papo, e de vez em quando tomava um gole de bebida que ele preservava numa garrafa e não oferecia a ninguém. Asdrubal prometeu que tão logo surgisse oportunidade, ele roubaria um trago da bebida. Alguém comentou que a poucos quilômetros dali o comboio passaria num túnel. Sorte. Minutos depois o homem da garrafa se levantou e foi na direção do sanitário. Tão logo ele desapareceu entre os passageiros de pé, Asdrubal se apoderou da bebida e com sofreguidão bebeu do líquido. Comentou que não lhe pareceu convidativa. Tão logo o dono da garrafa retornou ao banco Asdrubal perguntou sobre o líquido e obteve esta resposta: ‘‘Extraí dois dentes e a hemorragia transfiro para a garrafa. É mais higiênico e confortável.’’
Tanto quanto feliz foi Alfredo. Conseguiu uma namorada, morena, esguia, simpática e educada. Ela o convidou para partilhar de uma cabine. Bastava apenas uma gorjeta ao responsável. Tudo certo e combinado. Só havia um detalhe a esclarecer: ‘‘Ainda bem que você é mulher. Se não passar no teste do gogó eu quebro de pau. Detesto homem que se veste e procede como se fora mulher.’’ A morena simpática saiu discretamente e mudou de vagão. No fim da viagem evitou contato com os demais passageiros...’’

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