Curar uma pessoa de todos os males, apenas pelo toque. Este é um sonho de muitos, principalmente médicos. Este é o tema de ‘‘O Toque Mágico’’, romance do médico F. Paul Wilson, desenvolvido de modo tão arrebatador que o leitor acaba se apaixonando pelo personagem, o médico Alan Bulmer. Mesmo antes de passar por uma experiência inesperada, que lhe conferiu um tão grande poder, ele já era um profissional consciente, preocupado, que via os pacientes como seres humanos, que sofria com as doenças e queria aliviar o sofrimento, acabar com a dor, recuperar as pessoas.
O problema, naturalmente, quando alguém possui um tal dom, são as consequências: as multidões que procuram aqueles que se dizem detentores do poder de cura. E, no caso do romance, há um fato adicional: existe um preço a ser pago pelo que transmite a cura. Cada vez que usa o ‘‘toque’’ o médico tem uma perda real em termos físicos. No começo, ele não sabe, mas uma pesquisa acaba revelando isto. Mais: a conclusão é a de que, se continuar se dispondo a curar os outros, poderá acabar como um vegetal, uma vez que os danos que sofre a cada atendimento atingem o cérebro.
Fazer o quê? Curar os outros e correr riscos pessoais ou, simplesmente, esconder o poder e viver? O dilema do médico (isto até lembra título de um livro antigo) se torna mais intenso porque ele sente a dor dos outros e, principalmente, porque quer ajudar uma criança, autista, por quem se afeiçoou.
É uma trama efetivamente intensa, muito bem conduzida e que tem, além do protagonista, alguns personagens muito fortes, que ajudam a produzir um clima denso, fazendo o leitor querer ir até o fim para saber como é que as coisas se resolvem. O interessante é que o autor resolveu muito bem a trama. O ruim é que quando a gente acaba o livro, fica com saudades de Alan Bulmer, com vontade de conhecer alguém como ele.

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