O titã invade a TV
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Juliana Faddul<BR>Agência Estado 
São Paulo - Uma noite no começo do mês passado conseguiu praticamente o impossível: animar ainda mais o público moderninho que foi ao Studio SP, na Rua Augusta, em São Paulo. O motivo? A data não se resumiria a reencontrar amigos e ouvir boa música, como aconteceria numa quarta-feira normal. Naquela ocasião, câmeras posicionadas nos cantos da casa noturna deram outro tom à noite. Afinal, a apresentação não era apenas mais um show. Era a primeira gravação de Grêmio Recreativo, programa que estreia dia 24 de março na MTV (e irá ao ar sempre na penúltima quinta-feira do mês), sob o comando de Arnaldo Antunes.
Enquanto técnicos de som davam os últimos retoques aos equipamentos, Arnaldo Antunes conversou com a reportagem nos camarins da casa noturna. Com roupa despojada e o semblante sério, o músico falou sobre as canções que compôs, as expectativas do programa, a televisão brasileira e as amizades que tem na música. Enquanto ele falava sobre esses assuntos, o papo foi embalado pelo leve dedilhar de um violão, tocado por ninguém menos do que Seu Jorge.
No mesmo espaço, estavam as cantoras Céu e Karina Buhr, que conversavam sobre música e moda. Tudo temperado com piadas que só elas entendiam.
Enquanto Arnaldo Antunes falava sobre as músicas inéditas que serão lançadas no Grêmio, o ex-titã perguntou para Seu Jorge: E aquela música? Vamos chamar de Reginalda?. O amigo olhou e, com ar desencanado e olhar estático para o nada, respondeu: É, Reginalda. E assim foi batizada a música que fala do primeiro contato com uma mulher, a Reginalda. Fizemos essa canção num dia em que fomos à casa da Marisa (Monte), conta Arnaldo Antunes. Pela letra e melodia percebe-se que a brincadeira dos músicos deve ser um tiro certeiro.
Durante a passagem de som, Edgard Scandurra (calçando chinelos e uma bermuda de tactel para corrida) conversava com Seu Jorge, que tomava uns goles de cerveja. A inquieta Karina Buhr e a tranquila Céu faziam um contraste enquanto esperavam pelos ajustes em seus microfones.
Durante os terríveis agudos emitidos pelas caixas de som em manutenção, o baterista do Nação Zumbi, Pupillo, tapava, com um pano, os ouvidos e fazia algumas caretas. O apresentador Arnaldo Antunes aparentava impaciência.
Vamos fazer só mais duas vezes, porque tem uma fila enorme lá fora, disse para a produção. Do lado externo da casa, cerca de 400 pessoas estavam ansiosas pela gravação. Para os habitués de shows, a ação mostrou respeito do músico para com os fãs, espantando até os produtores que lá se encontravam.
O show começou com um leve atraso de 15 minutos. Amparado no início pelo músicos Gui e Rica Amabis (Instituto), Lucio Maia, Pupilo e Dengue (Nação Zumbi) e Dustan Gallas (Cidadão Instigado), Arnaldo Antunes agradeceu ao público e apresentou a banda.
Feliz
Usando uma camisa no estilo lapela de padre, típico do cantor, ele chamou o amigo inseparável Edgard Scandurra para dividir o vocal de Elisa. O apresentador aproveitou e fez uma breve propaganda do DVD ao vivo do ex-guitarrista do Ira!. Vendo o cantor tão feliz e à vontade no comando do programa, é de se estranhar que ele nunca tenha pensado em apresentar uma atração.
Os figurinos dos músicos não mudaram muito para o show. Scandurra trocou a bermuda por uma calça jeans com tênis, enquanto Karina Buhr e Céu elegeram vestidos, cada uma em seu estilo, e reforçaram a maquiagem. Seu Jorge nem teve o trabalho de mudar de roupa. Estavam presentes na plateia alguns VJs, como Tatá Werneck, Rodrigo Capella, Titi Müller e a ex-VJ, Sarah Oliveira. Meu, eu estou chorando! Olha isso!, disse Sarah, enquanto se emocionava e ria ao mesmo tempo. A MTV também me convidou, mas dessa vez vim como convidada do Arnaldo. De todos os artistas que eu entrevistei, ele é de quem sou mais fã, falou, enquanto cumprimentava Zico Góes, diretor da MTV.
Como de praxe, rolou um bis da última canção, Música para Ouvir, com a batida de Quando a Maré Encher, da Nação Zumbi. Mas o bis não foi um pedido da plateia, que se dispersou durante a apresentação, e sim por problemas técnicos ocorridos durante a primeira gravação. Por isso, o repertório do show não deve entrar integralmente no programa. Diante da aceitação do público, o anfitrião, feliz, se mostrou satisfeito. Fiz o que sei fazer, concluiu Arnaldo Antunes.


