Nos anos 1980, o cineasta brasileiro Ivan Cardoso andou dirigindo pastiches em cima de clássicões do cinema de horror, filmes em chave cômica aos quais batizou de ''terrir''. Pois bem, a definição de Cardoso se ajusta como uma luva para a terceira comédia da série ''Todo Mundo em Pânico'', hoje em lançamento nacional.
Iniciada em 2000 pelos irmãos Wyams, a série nunca negou suas pretensões de besteirol rasgado e abusado, tripudiando em cima de hits de Hollywood, inicialmente de terror, depois tendo como alvo qualquer título que, de uma forma ou de outra, tivesse identificação popular. Mesmo que a segunda etapa da franquia não tenha obtido o sucesso da primeira, os produtores insistirm e o resultado, agora com direção de David Zucker, irmão de Jerry ambos de ''Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu'' foi este ''Scary Movie 3''.
Perda de tempo falar de argumento. Basta dizer que a trama cruza os dados de êxitos recentes de bilheteria, desde ''Sinais'' até ''O Círculo'', passando por Eminem e ''8 Mile''. Na mixórdia que se estabelece na tela, uma repórter toma conhecimento da tal fita de vídeo que mata quem a assiste. Enquanto isso, dois fazendeiros descobrem estranhas marcas em suas lavouras de milho, indicando uma invasão extraterrestre. O presidente dos EUA decide investigar, e eventualmente se revelará como estão relacionados os dois fatos.
Muitos vão rir, outros devem se irritar. Na verdade, a maioria das situações carece de timing, e a diversão como um todo não obtém muito mais que um sorriso. À falta de talento para criar situações de autêntico humor, resta o recurso das baixarias escatológicas, sabidamente insuficientes para fazer boa comédia. O elenco é experiente neste tipo de humor anárquico: Charlie Sheen, Anna Ferris e o cativo Leslie Nielsen, espécie de decano dessas chanchadas. O recurso das participações curtas e especiais é sempre um coelho cansado numa cartola velha. O problema crucial é que a paródia vulgar está sempre invadindo e neutralizando a sátira autêntica. (C.E.L.J.)

mockup