O terceiro Woodstock
Nelson Sato
De Londrina
Os trinta anos do festival, que virou símbolo da geração hippie, serão lembrados de hoje a domingo nos Estados Unidos. Canal HBO transmite ao vivo os shows
O festival de Woodstock chegou aos trinta. As velas só serão sopradas mês que vem, entre os dias 13 e 15 (data de realização do evento original), mas a festa de aniversário já começou nos Estados Unidos.
De hoje a domingo acontece a versão-99 do festival reunindo mais de quarenta artistas em Griffiss Park, na cidade de Rome, Estado de Nova York. Entre as principais atrações figuram Metallica, The Chemical Brothers, Alanis Morissette e Red Hot Chili Peppers.
Os organizadores prevêem um público de pelo menos 250 mil pessoas, pouco mais da metade da multidão que se reuniu em 1969 para três dias de música, paz e amor. Os shows serão transmitidos ao vivo pela TV. No Brasil, o canal pago HBO vai exibir toda a programação a partir de hoje às 23 horas.
Se o primeiro Woodstock ocupou uma fazenda, o atual está instalado numa antiga base aérea militar que serviu para decolagem de aviões durante os anos da Guerra Fria. A infra-estrutura montada para esse final de semana inclui dois palcos com mais de 15 metros de comprimento, uma vasta área para acampamento, espaço para esportes radicais, uma praça de alimentação e um cinema para doze mil pessoas.
Essa é uma das diferenças em relação ao Woodstock mítico. Na época reinou o caos. Faltaram água, comida e banheiros. Sobraram chuva, lama e carros congestionados. Mas os promotores estão escaldados. A maratona que dá o tiro de largada logo mais, será a terceira do currículo. O primeiro Woodstock, como se sabe, virou o símbolo máximo do movimento hippie com shows históricos de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, The Who etc.
O segundo, realizado há cinco anos para celebrar o jubileu de prata do festival, contou no palco com apresentações de Metallica, Nine Inch Nails, Green Day, Bob Dylan e outros não menos famosos. Mas parece que só ficou na lembrança de quem passou por lá. Nas duas edições, os envolvidos no projeto quebraram a cara.
Foram obrigados a esvaziar os próprios bolsos para cobrir o fiasco das bilheterias (no Woodstock original, o povo invadiu o local já no dia da abertura), embora tenham recuperado a grana depois com os direitos de TV, disco, filme etc. Desta vez, contudo, ninguém deverá sair insatisfeito da festa.
Afinal, pelo que foi divulgado, duzentos mil ingressos ao preço de US$ 150 teriam sido vendidos antecipadamente para a alegria de Michael Lang - um dos quatro produtores do festival de 69, responsável pela realização do segundo e principal organizador da nova empreitada. O revival, porém, se resume a cumprir a efeméride.
Toda a herança espiritual dos anos 60, ritualizada em Woodstock, não merecerá mais do que artigos nostálgicos em jornais comparando os valores morais de uma época e outra. Agora, na passagem dos trinta anos, apenas um único detalhe faz alusão ao idealismo e solidariedade dos hippies.
É o Muro da Paz, como foi batizado, no qual serão escritas mensagens de apoio às vítimas da guerra de Kosovo, além de ter suas partes leiloadas para arrecadar recursos para a Cruz Vermelha. Como um outro festival qualquer, a versão-99 de Woodstock vai pelo menos oferecer atrações de peso contemplando várias correntes do pop atual.
Além dos citados, a lista de participantes inclui Rage Against the Machine, Sugar Ray, Bush, Jewell, Jamiroquai, Offspring, Moby, Sheryl Crow, Elvis Costello, Korn, Parliament/Funkadelic, The Roots, Wille Nelson, Al Green, Collective Soul, Dave Matthews Band, Everclear, Everlast, Ice Cube, Insane, Creed, Limp Bizkit, Moe, Megadeth, Live, The Tragically Hip, Brian Setzer Orchestra, DMX, Los Lobos, Wyclef Jean & The Refugee Allstars e mais uma penca de artistas ainda desconhecidos do grande público. O DJ e produtor inglês Fatboy Slim deverá encerrar as noites em clima de rave.





