Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Zonas de passagens, articulações e pequenas peças abstratas são os temas das exposições dos artistas plásticos Marco Giannotti, Paulo Monteiro e Marcia Pastore, que abrem hoje, na Casa da Imagem, em Curitiba. Esculturas, desenhos e telas compõem as expressões artísticas dos três paulistanos. A mostra permanece até o dia 23 de outubro, com visitação de segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas e sábados, das 11 às 14 horas.
Marco Giannotti trabalha com a alusão da estrutura espacial. São janelas que moldam o olhar, numa relação entre estrutura metálica e superfícies cromáticas. ‘‘Proponho zonas de contrastes, numa tentativa de indicar a questão da percepção, uma vez que a retina também é superfície vítrea’’, decifra.
A aplicação de barras de ferro sobre a tela é o recurso mais recente usado por Marco Giannotti. ‘‘A barra nos traz de volta ao mundo, da mesma forma que a janela remete ao mundo observador. A percepção da barra é o aqui e agora. Cria uma tensão constante.’’
As barras de ferro saem da tela com até cinco centímetros. Como num jogo cromático, não se sabe bem onde está a tela e a barra. ‘‘Às vezes uso a cor do próprio metal como uma limitação espartana, uma demarcação. As janelas são zonas de passagem, aludem a um outro espaço’’, admite.
As cores usadas nos trabalhos de Giannotti são também muito trabalhadas. Nunca cores puras, mas sobreposições. Cada uma com intensidades e vibrações diferentes, difíceis de serem definidas. ‘‘Elaboro uma relação entre as cores. As camadas formam a construção do espaço, num jogo com o tempo.’’
Marcia Pastore montou sua exposição com seis peças: quatro em bronze niquelado polido e as outras em bronze preto. Todas têm forte relação com o plano e são fixadas nas paredes ou no chão. ‘‘Parecem uma deformidade da parede, um apêndice que se projeta.’’
As deformações da superfície e as articulações são os temas que mais interessam a Marcia. Algumas peças mudam de direção como joelhos. Outras parecem deformidades da própria superfície, como uma irritabilidade abrupta.
O plano arquitetônico tem uma relação íntima com as peças de Marcia. ‘‘Existe uma relação contundente com o espaço real, numa proximidade com o plano da arquitetura e seu entorno.’’
O bronze polido espelha o ambiente e reflete as luzes. ‘‘O ambiente conversa ao mesmo tempo que não se consegue visualizar o trabalho por inteiro.’’
Vinte pequenas peças em chumbo, e outros 20 guaches e desenhos abstratos são os trabalhos que o artista plástico Paulo Monteiro traz a Curitiba. Os materiais utilizados são o chumbo, o bronze e o estanho. As esculturas têm tons prateados e preto-e-branco. Os desenhos usam grafite.
Todas as peças são inéditas. ‘‘Os meus trabalhos aludem a um horizonte figurativo, ou uma figura de associação induzida’’, reflete. Paulo Monteiro diz que ocorrem, nas peças, uma projeção da arte pré-histórica. ‘‘A intenção é apenas estética’’, reconhece. As peças menores têm cinco centímetros por dois centímetros e as maiores, 20 por 10 centímetros. O processo utilizado por Paulo é o molde em argila fundido em chumbo, bronze ou estanho.
Exposições de Marco Giannotti, Paulo Monteiro e Marcia Pastore, na Casa da Imagem - Rua Dr. Faivre, 591, em Curitiba. Tel: (41) 362-4455. [email protected]ções na Casa da Imagem, em Curitiba, reúnem obras de três paulistanos
DivulgaçãoAs articulações estão presentes nas esculturas em bronze de Marcia PastoreDivulgaçãoPequenos objetos de Paulo Monteiro também integram exposição na Casa da ImagemDivulgaçãoAs janelas de Marco Giannotti moldam o olhar do espectador criando uma relação entre as estruturas metálicas e as superfícies cromáticas

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