O Tempo e o Vento sob a ótica de Monjardim
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba - O segundo longa-metragem de um dos nomes mais festejados da teledramaturgia nacional estreia hoje no Brasil. "O Tempo e o Vento", do diretor Jayme Monjardim, conta a saga dos Terra Cambará e de sua principal opositora, a família Amaral, sob o ponto de vista de Bibiana Terra.
Isso quer dizer que a história de amor entre essa personagem e o lendário Capitão Rodrigo Cambará é a linha que conduz a mais nova adaptação do livro do escritor gaúcho Erico Veríssimo. É um aviso para quem espera que um dos mais aguardados lançamentos do cinema nacional de 2013 seja uma adaptação fiel dos três volumes que formam essa grande obra "O Continente", "O Retrato", e "O Arquipélago" e que retrata quase 200 anos da história da formação política do Rio Grande do Sul, passando pelas lutas entre os portugueses e os espanhóis e a Revolução Federalista (1893-1895).
Segundo o diretor, a proposta foi produzir uma versão cinematográfica com duas horas de duração para que não apenas os brasileiros, mas o público estrangeiro conhecesse um épico da literatura brasileira tão importante como "O Tempo e o Vento". Monjardim esteve em Curitiba para lançar o filme e participou de uma coletiva de imprensa ao lado dos atores Marjorie Estiano, que vive a jovem Bibiana, e José Henrique Ligabue, intérprete de Antonio Terra.
Ele contou que, em cinco anos, os roteiristas Letícia Wierzchowski, Marcelo Ruas e Tabajara Ruas produziram 23 versões do texto até que nasceu a ideia de contar a história em flashback, com Fernanda Montenegro vivendo as últimas horas de vida de Bibiana Terra, lembrando a sua paixão pelo Capitão Rodrigo (Thiago Lacerda) e outras passagens do épico. Aliás, o diretor contou que rodou o filme acompanhado do livro de Erico Veríssimo e muitas vezes parava o trabalho para buscar nas páginas de "O Tempo e o Vento" a inspiração necessária para finalizar uma cena.
No sobrado dos Terra Cambará, cercado pelos inimigos Amarais, em meio às batalhas da Revolução Federalista, Bibiana de Fernanda Montenegro conta desde o nascimento de Pedro Missioneiro, índio corajoso que engravidou Ana Terra, recorda seu casamento com o militar Rodrigo, as guerras, as festas e a coragem dos seus descendentes. Pedro Missioneiro é interpretado pelo ator argentino Martin Rodriguez, e Cleo Pires retoma o papel de Ana Terra, vivido por sua mãe, Gloria Pires, na minissérie que a Globo levou ao ar em 1985.
Dificuldades
Diretor de novelas consagradas, como "O Clone" e "Terra Nostra", Jayme Monjardim demorou nove anos para voltar a investir em cinema, depois que levou para a telona outra adaptação literária, "Olga", de Fernando Moraes. Para justificar o longo período, ele lembra o que todo mundo já sabe: "Fazer cinema no Brasil não é fácil". "O Tempo e o Vento" é uma superprodução que custou R$ 13 milhões e contou até com uma cidade cinematográfica a fictícia Santa Fé foi construída em Bagé (RS) -, cenários grandiosos, 120 atores e 2 mil figurantes. Além de Bagé, a produção usou locações nas cidades gaúchas de Pelotas e Aceguá. É o primeiro filme brasileiro feito com a tecnologia 4K e o primeiro no mundo a ser totalmente finalizado nesse padrão, que tem resolução de melhor qualidade.
No elenco, dois nomes estavam nos planos do cineasta desde que ele começou a concretizar o projeto: Fernanda Montenegro e Thiago Lacerda. "Alguns atores, como a Fernanda, foram a base para a construção do filme. Se eu não tivesse a Fernanda, eu não teria feito o filme. Eu tinha que ter a Fernanda disponível e teve um momento em que eu até esperei por ela", explicou. Monjardim justificou a insistência: "Eu olho para a Fernanda e acredito em tudo o que ela fala".
Além de Fernanda Montenegro e da curitibana Marjorie Estiano, outra atriz vive Bibiana na meia-idade, a gaúcha Janaina Kremer. A paranaense contou que não houve pressão para que as três atrizes construíssem uma mesma Bibiana, mas cada uma teve liberdade para mostrar a sua versão da personagem, nos três diferentes tempos da história.
A quem critica essa narrativa mais feminina do filme, Monjardim lembra que as mulheres fortes sempre estiveram em seus trabalhos, como por exemplo na minissérie "A Casa das Sete Mulheres", outra parceria entre ele e a escritora Letícia Wierzchowski. "Eu não sou um diretor político. Eu me considero um diretor popular, de histórias românticas, épicas", explicou.


