O 'Tempo' amoroso de Julia Bosco
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de janeiro de 2012
Ana Paula Nascimento <br> <br> Reportagem Local 
De cara limpa, peito aberto e sem medo de arriscar, Julia Bosco afirma que a palavra de ordem agora é coragem ao divulgar o lançamento do seu disco de estreia, Tempo, que chega às lojas produzido por Plínio Profeta e Fabio Santanna, com distribuição pela Tratore. Passando pela MPB, pop, soul, samba, new bossa e até salsa, não é demais dizer que a sua voz de mezzo-soprano passeia confortavelmente por todos esses gêneros, registrados em 13 faixas musicais (nove feitas em parceria com Fabio, que assina sozinho quatro delas).
Assumindo com leveza o DNA musical paterno privilegiado, Julia parece estar começando a trilhar uma carreira promissora na seara da música autoral. Em seu variado estilo musical, foge do que estamos acostumados a ouvir na voz de seu pai, o consagrado João Bosco, 65, e seu atávico violão, que nos brinda com uma participação especial em Na Oração (Julia Bosco/Fabio Santanna). O compositor e cantor Marcos Valle, 67, que Julia confessa ser um dos seus ídolos musicais da juventude, também aparece em Curtição (Julia Bosco/Fabio Santanna), que chega a ter a citação de um rap improvisado dentro do mais fiel estilo bossa-funk-soul.
Com letras intimistas e pessoais, Julia concorda que o disco definitivamente resultou em algo amoroso, em que deu a si mesma o direito de ser feliz no mundo da música desejo que acalentava há muitos anos, sem ter ainda se dado conta da necessidade de assumi-lo por inteiro o que foi impulsionado após ao que ela chama da crise dos 30.
É como se eu tivesse saído do armário. Eu tenho muito medo de avião, mas nunca deixei de fazer o que era preciso por causa disso. Com a música, agora, está sendo mais ou menos assim, brinca a jovem cantora, de 31 anos, formada em jornalismo e propaganda, que abriu mão de uma carreira bem-sucedida como consultora da Petrobras para se dedicar integralmente à música. Sobre a miscelânea de estilos em seu primeiro trabalho musical, ela argumenta: Tinha tanta coisa guardada, que tudo queria sair ao mesmo tempo.
Desde criança acompanhava meu pai em suas apresentações e fazia os meus showzinhos em família, em rodas de amigos, mas era tudo uma brincadeira, embora meu pai sempre falasse que eu cantava bem. Adulta, participava ocasionalmente de shows de amigos no final de semana, aqui no Rio de Janeiro, mas, de repente, vi que tudo estava indo além dentro de mim, analisa. Meu pai nunca forçou nada, mas é engraçado que sempre que as pessoas perguntavam a minha profissão, ele desconversava, não dizia que eu era uma consultora especialista em gestão de pessoas, acrescenta.
Sem passar previamente pelo aval paterno, Julia conta que começou sozinha a dar os primeiros passos na elaboração do CD e foi por indicação de um amigo que chegou ao produtor Fabio Santanna. Quando assisti a um vídeo dele interpretando a música Tempo, não tive dúvida de que queria poder cantá-la também e fiz o primeiro contato com ele, lembra.
E ela mal imaginava que os laços profissionais se extrapolariam para uma história de amor (que virou casamento) e que permeia explicitamente em versos e rimas todo o disco. Não teve como deixar isso de fora. Foi algo espontâneo. Eu nunca tinha composto antes e dessa parceria resultou um registro muito pessoal do momento que estamos vivendo. Ia contando as histórias da minha vida e o Fabio, com o violão, criava as melodias, confessa, dando para imaginar mesmo por telefone um sorriso maroto estampado em seu rosto.
Orgulhosa do primeiro filho dessa história construída a dois, Julia relembra do dia em que recebeu a cópia master do CD (registro fonográfico de referência antes da prensa dos discos) e entregou a seu pai, antes mesmo de ouvi-la. Ele ficou bem tranquilo e depois ouviu faixa a faixa, cuidadosamente, fazendo algumas considerações. Achei isso bem carinhoso da sua parte e sinto que o apoio dele é desde sempre, destaca.
Com possibilidades de shows de lançamento para março, ela conta que ainda está se acostumando com a nova rotina musical, mas satisfeita com os rumos deste novo tempo, que não por acaso dá nome ao seu disco de estreia e traz os seguintes versos na bela canção homônima: Tempo/ Seja paciente, seja breve/ Seja amigo e seja leve/ E siga o seu curso/ Mas não me deixe esquecer/ Sempre há algum tempo.../ Deixe marcas no meu rosto/ Venha triste e então prossiga/ E me ensine a aprender com a dor/ Mas não me deixe esquecer/ Sempre há algum tempo/ Para superar as agonias/ Abrir uma saída/ Encontrar um novo amor/ Que irá sempre dizer/ Que ainda há tempo amor/ Uh, há quanto tempo, amor/ Que irá sempre dizer/ Que ainda há tempo amor/ Que há tempo amor.
SERVIÇO
■ Tempo
Artista Julia Bosco
Lançamento Tratore


