O telejornalismo na berlinda
Profissionais de 80 órgãos de comunicação escolhem os melhores e piores do jornalismo televisivo brasileiro
Arquivo FolhaBóris Casoy mais uma vez emplacou na categoria Melhor Apresentador de TelejornalArquivo FolhaLilian Witte Fibe dividiu opiniões no quesito Melhor ApresentadoraArquivo FolhaLuiz Carlos Alborghetti foi classificado como o Pior Apresentador da TvO ano de 1999 serviu para comprovar que o telejornalismo brasileiro é cercado de contradições. Alguns profissionais conseguiram despertar amor e ódio nos telespectadores, como a apresentadora Lílian Witte Fibe e o locutor esportivo Galvão Bueno, eleitos como melhores e piores em suas respectivas categorias. Isso só confirma o fato de que a Globo é a emissora que possui, disparado, a maior visibilidade no Brasil.A pesquisa foi feita pela agência Tv Press que consultou editores de cadernos de variedade de mais de 80 jornais brasileiros.
Outros profissionais do telejornalismo fora da Globo, no entanto, também conseguiram se destacar. Um exemplo disso é o jornalista Bóris Casoy. O primeiro âncora do telejornalismo nacional venceu na categoria de Melhor Apresentador de Telejornal. O nível também manteve-se alto também na categoria de Melhor Programa de Entrevistas. Os programas Jô Soares Onze e Meia, do SBT, e Roda Viva, transmitido pela Rede Pública de Televisão, acabaram dividindo a primeira colocação.
A seriedade deste programas contrastam com programas de baixo nível que apelam ao sensacionalismo para conquistar altos índices de audiência, como o Linha Direta, da Globo, e o Cidade Alerta, da Record, considerado o Pior Programa Jornalístico de 99.
A Globo vence de novo na categoria Melhor Programa Esportivo, o Esporte Espetacular, recuperou a hegemonia depois de ter perdido em 98 para o Cartão Verde. Na verdade, o Esporte Espetacular conta com a vantagem de ter como único concorrente o Show do Esporte, da Band.
O mesmo acontece com a equipe esportiva da Globo. Galvão Bueno e companhia têm uma concorrência mínima, já que a emissora detém o direito de transmissão de praticamente todos os campeonatos importantes. É o caso, por exemplo, de Paulo Roberto Falcão. Ele venceu facilmente a categoria de Melhor Comentarista Esportivo da temporada. Já o trio Carlos Casagrande, José Roberto Wright e Arnaldo César Coelho foram eleitos os Piores Comentaristas.
Ponto para a Globo também na categoria Melhor Telejornal, depois de ter perdido a eleição passada para o Jornal da Band. Neste ano, dois telejornais da casa dividem a primeira colocação: Jornal Nacional e Bom Dia Brasil, cada um com 32% dos votos. O primeiro se tornou mais dinâmico e ganhou mais tempo de duração, além de abrir espaço para reportagens mais investigativas, como por exemplo, na denúncia do esquema do narcotráfico, que chocou o país. Já o Bom Dia Brasil, comandado pelo simpático Renato Machado, é uma excelente opção para quem pretende sair de casa bem informado. O telejornal, além de contar com comentaristas de peso, como Ricardo Boechat e Míriam Leitão, mescla boas reportagens com quadros de culinária e turismo. Tudo embalado com um ótimo bom humor.
Mas nem tudo são flores para a Vênus Platinada, que de acordo com a eleição deste ano, Jornal da Globo foi apontado como o Pior Telejornal. Além de não ser exibido num horário fixo, o noticiário do final da noite da Globo conta com o descaso da apresentadora Lilian Witte Fibe. O CNT Jornal, também apontado como Pior, se destaca pela indisfarçável carência de estrutura.
O Globo Repórter conquista o título de Melhor Programa Jornalístico pela terceira vez consecutiva, alcançando 36% dos votos. Sem apelar para sensacionalismo ou matérias piegas, o tradicional programa da Globo se diferencia dos demais pela qualidade de suas reportagens e temas diversificados. O Cidade Alerta (Record), cópia mais sofisticada do extinto Aqui Agora, do SBT, eleito o Pior Programa Jornalístico de 99, com 28% dos votos, seguida de perto pelo Linha Direta, da Globo, que teve 20%.
Bóris Casoy levou tranquilamente o título de Melhor Apresentador de Jornalismo, com 38% dos votos. Bóris deixou o telejornal da Record um pouco mais com sua cara. Em 98, quando o vencedor foi Paulo Henrique Amorim, Bóris ainda estava em fase de adaptação na nova emissora.
Abominável. Assim pode ser definido o programa Cadeia da CNT, comandado pelo truculento e enjoativo Luiz Carlos Alborguetti. Com estas características, não foi difícil que 32% dos votantes o elegessem o Pior Apresentador de Telejornalismo.
Lilian Witte Fibe foi um dos nomes mais polêmicos da eleição promovida pela TV Press no ano de 99. Para 36% dos votantes, ela é a Melhor Apresentadora de Jornalismo, ao mesmo tempo em que 26% dos votos a apontaram como Pior Apresentadora de Jornalismo. Lilian consegue atrair a simpatia de boa parte dos telespectadores como também fazer com que muitos deixem de assistir o Jornal da Globo por causa de sua presença.
Um dos programas mais bem editados da tevê brasileira, o Esporte Espetacular se tornou um hábito dos telespectadores nas manhãs de domingo. Depois de perder o título no ano passado para o Cartão Verde, da Rede Cultura, o programa recuperou a hegemonia em 99 e foi eleito o Melhor Programa Esportivo da tevê com 36% dos votos, superando o novato Super Técnico, que ficou em segundo com 20%. Já o programa Bola na Rede foi uma das maiores decepções da tevê no ano de 99. Todos esperavam que o jornalista Juca Kfouri, considerado um dos mais contundentes da crônica esportiva, fosse inaugurar um novo conceito de debate esportivo. Ledo engano. O programa parece mais um palanque para Juca jogar confete em seus convidados.
Polêmico também foi o locutor esportivo Galvão Bueno. Na eleição de TV Press entre os editores de cadernos de televisão de todo o Brasil, o jornalista da Globo foi eleito o Melhor e Pior Locutor Esportivo do ano de 99. Aliás, o mesmo resultado do ano passado. Galvão é um profissional que se prepara para uma cobertura, mas, por outro lado, a sua vaidade às vezes é maior que seu talento e ele se torna insuportável, por isso ficou com Pior Locutor Esportivo, com 52% dos votos.
Falcão, o ex-meia da seleção brasileira, Internacional, de Porto Alegre, e Roma, da Itália, foi um dos poucos ex-jogadores que conseguiram se adaptar perfeitamente à tevê. Isto sem falar da empatia que ele tem junto ao público. Por estas razões, Falcão foi escolhido pela segunda vez consecutiva como Melhor Comentarista Esportivo, com 52% dos votos. Se por um lado Falcão se destaca nas transmissões da Globo, curiosamente os demais comentaristas da emissora foram eleitos os Piores Comentaristas Esportivos, com 16% dos votos cada. O ex-jogador Casagrande e os ex-árbitros Arnaldo César Coelho e José Roberto Wright terminaram empatados. Casagrande é um daqueles comentaristas previsíveis e repetitivos, sem falar dos erros de concordância que comete. Já Arnaldo e Wright se tornaram figuras chatas na transmissão, principalmente pelo preciosismo desnecessário e a forma oportunista de comentar os erros da arbitragem, já que só tecem comentários depois de rever o lance duas ou três vezes, por ângulos diferentes. Na dúvida, dão razão ao juiz.





