O teatro que diverte educando
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 1997
Telma Elorza Londrina 
Milton DóriaO Iscalatro começou dentro do hospital e já se apresenta em empresasHá um ano, um grupo de teatro amador vem modificando hábitos e atitudes em locais de trabalho. Com a peça Escolinha do Professor Cacá, o grupo Iscalatro - sigla para Irmandade da Santa Casa de Londrina em junção com a palavra teatro -, vem divulgando com sucesso, dentro e fora do hospital, técnicas de segurança do trabalho, com objetivo de prevenir acidentes.
Segundo a gerente de Recursos Humanos do hospital, Adriana Carlesso da Silva, que atua como atriz no grupo, o Iscalatro surgiu de uma necessidade da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), já que os métodos tradicionais - palestras e cartazes - não estavam surtindo efeito.
Até que o técnico de segurança do hospital teve a idéia de fazer uma peça de teatro e escreveu um roteiro básico. Composto por 13 funcionários do hospital, de auxiliares de cozinha a diretores, sem experiências anteriores - o único que já tinha feito teatro amador acabou virando o diretor da peça -, o grupo obteve um resultado fantástico, com assistência de mais de 80 por cento dos funcionários e redução sensível de acidentes em local de trabalho.
Arma eficaz Agora, o grupo se apresenta também em outras empresas. Mesmo lidando com ambientes que não o hospitalar, os atores procuram transmitir conceitos básicos de segurança e, através de informações da empresa, adequa os quadros para a realidade do local. Um dos problemas aqui no hospital eram acidentes na manipulação de agulhas. Na Sercomtel, o problema era com choques elétricos. Em outra empresa era a manipulação de máquinas. Então passamos estas situações para o espetáculo - diz Adriana.
Segundo Rosana Medeiros, enfermeira e empresária do grupo, o Iscalatro já tem mais um trabalho pronto (sobre aleitamento materno) e outro que deve estrear na Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) sobre postura corporal e estresse. O teatro diverte educando e tem um poder de penetração que atinge todas as camadas sócio-culturais. Está sendo uma arma eficaz para a conscientização de nossos funcionários, já que trabalhamos com pessoas que têm níveis escolares diferentes, que vão do 1º grau a cursos de pós-graduação - afirma.


