O Teatro paranaense está de luto
Simone Mattos
De Curitiba
O teatro paranaense perdeu ontem um dos seus pioneiros. O ator e diretor Edson Dávila, que completaria hoje 74 anos, teve uma parada cardíaca às 3h15 e foi sepultado ontem mesmo no Cemitério Jardim da Saudade, em Curitiba. Sua mulher, Delcy Dávila, e dois de seus quatro filhos também atuam na área artística e são conhecidos pela intensa participação no Carnaval de rua curitibano.
Ele nasceu em Florianópolis (SC) e foi batizado como João Augusto Dávila, mas foi em Curitiba e com o pseudônimo de Edson Dávila que se consagrou como um dos mais expressivos nomes das artes cênicas. Fez teatro, cinema e televisão. Quando eu comecei na TV, em 1964 (Rede Tupi, canal 6), ele já era veterano, já tinha muita experiência em cinema e foi um grande orientador, lembra a atriz e diretora Lala Schneider.
Dávila não tinha apenas talento, mas muita vocação para as artes cênicas, o que o tornou um maravilhoso profissional, define ela. A amizade e o companheirismo entre os dois se tornou tão grande que Lala acabou batizando uma das filhas do casal, Jane.
Na opinião da atriz e atualmente responsável pelo setor de Preservação e Memória do Teatro Guaíra, Carmem Hoffmann, Dávila teve uma importância muito grande para o teatro curitibano. Ele foi pioneiro e participou de quase tudo o que foi feito por aqui, seja na comédia ou no drama, define.
Carmem atuou ao lado dele em três produções teatrais, entre elas o espetáculo Colônia Cecília, dirigido por Ademar Guerra, com o Teatro de Comédias do Paraná.
Segundo a filha do artista, Jane Dávila, o pai estava afastado dos palcos desde agosto, quando foi internado em hospital devido a problemas cardíacos. A temporada do espetáculo Inimigo do Povo, no teatro Lala Schneider, do qual participava, estava em recesso desde então e deveria voltar em cartaz no ano que vem.
Edson Dávila iniciou a sua carreira fazendo circo e teatro de pavilhão (itinerante). Atuou como professor de teatro. Foi ídolo das crianças com a famosa dupla Zuca e Zoca. Era considerado um perito em maquiagem e caracterização de personagens, o que o levou a ensinar a técnica a muitos atores.
Em sua longa carreira no cinema, atuou nos filmes Lance Maior, A Guerra dos Pelados, O Círculo Vermelho e Aleluia Gretchen, entre outros. Trabalhou ao lado de grandes nomes nacionais, como Lelia Abramo, Maria Della Costa, Procópio Ferreira e Juca de Oliveira.
Na televisão, atuou como diretor de teleteatro, ao lado de Glauco Sá Brito, na TV Paraná, retransmissora da extinta Rede Tupi (canal 6). No teatro, trabalhou também sob direção de Cláudio Corrêa e Castro, interpretando obras de Brecht, Shakespeare e Tchekov. Com direção de José Renato, interpretou Molliere; e com José Antunes e Juca de Oliveira fez Ricardo III.





