O Teatro Mágico volta a Londrina
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Um espetáculo que reúne teatro, circo, música e poesia. O lúdico e o político, a contemplação e a reflexão. Assim pode ser definido o ''Segundo Ato'' que O Teatro Mágico traz de volta a Londrina. A apresentação acontece amanhã, às 19 horas, no Teatro Marista. A banda londrinense Pedrera fará o show de abertura, com composições próprias.
Mais politizado do que ''Entrada para raros'', show que consagrou o grupo, este ''Segundo Ato'' reflete um amadurecimento sem perder a ludicidade. ''Tínhamos que traduzir o que estávamos vivenciando, o mundo ao nosso redor. Então falamos da robotização do ser humano, da televisão, do acesso livre aos bens culturais, das pessoas que sofrem preconceito por terem uma função social diferente'', explica Fernando Anitelli, fundador da trupe, acrescentando que também vai incluir canções do primeiro trabalho.
Os doze integrantes dO Teatro Mágico fazem sua crítica social também através de atitudes como o movimento ''MPB -Música Pra Baixar'': todas as músicas do grupo são disponibilizadas gratuitamente pela internet. Dessa forma, os músicos proporcionam o livre acesso ao conteúdo do grupo.
Com isso, Anitelli não só se aproveitou da eficiente divulgação via internet como conseguiu combater a pirataria, em um processo simples e de uma lucidez impressionante: pela internet, a pessoa conhece e ajuda a divulgar o trabalho repassando-o a amigos. Assim, mesmo sem tocar em rádios nem aparecer na tevê, O Teatro Mágico se torna cada vez mais conhecido. Com isso, cria-se um público para a realização de shows em todo o Brasil. Na saída dos shows, o espectador vê os CDs a R$ 5 ou R$ 10 e o DVD a R$ 15 (todos lançados de forma independente) e compra.
Os números comprovam a eficácia do processo: ''O Teatro Mágico: Segundo Ato'' teve mais de 600 mil downloads em menos de 48 horas em 2008 no site da Trama Virtual, e o site oficial (www.oteatromagico.mus.br) tem mais de 150 mil acessos/mês. Ao invés de prejudicar, essa procura contribuiu para que o grupo vendesse, em seis anos de existência, mais de 200 mil CDs e mais de 40 mil DVDs. ''O fã mais apaixonado vai ao show, compra o CD e chegando em casa põe no computador e disponibiliza para o mundo. Fã não é pirata, é divulgador. Isso não impede em nada o trabalho do artista. Tanto que eu não toco em rádio e tevê até hoje. Ou seja, se não fosse a internet não tinha como O Teatro Mágico existir'', reconhece Anitelli.
Pirataria é o quê, então? ''Pirataria é quando eu pego o trabalho de alguém, faço cópias e saio para revender mais barato para fazer dinheiro. Gravar para ouvir é carinho. É o que a gente fez a vida inteira com as fitas cassete. Dizer que isso é crime é uma mentira'', define o artista, que defende ainda a flexibilização dos direitos autorais em favor da música livre.
Assim, se você ainda não conhece O Teatro Mágico, é só baixar as músicas e ouvir. Se gostar, ainda dá tempo de comprar o ingresso. ''Não é um show, é uma celebração da vida. A proposta é se lembrar de celebrar muito mais. Este é o grande tema do Segundo Ato'', convida o mentor do grupo. Depois da apresentação, alguns membros da trupe participam, junto com a banda curitibana Nuvens, da Festa da Música Pra Baixar, que começa às 22h30 na Vila Cultural Espaço Alona (Av. Leste Oeste, 518).
SERVIÇO
- O Teatro Mágico: Segundo Ato
Quando - Amanhã, às 19h
Onde - Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240)
Quanto - Segundo lote: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (com carteirinha de estudante ou doando 1 Kg de alimento não perecível)
Pontos de venda - Livraria Porto (Shopping Catuaí), Loja Ciranda (R. Jorge Velho, 48) e Nostra Pizza (Cambé)


