O teatro infantil é maltratado
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de maio de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Flávio de Souza, autor do programa Castelo Rá-tim-bum, que detém o maior ibope da TV Cultura de São Paulo, e co-produtor da peça O Teatro do Castelo Rá-tim-bum em Onde Está o Nino?, o maior sucesso teatral do momento na capital paulista, tem a maioria de suas 52 peças voltadas ao público adulto. Incoerência? Não. Quem faz teatro infantil é maltratado. Eu cansei, disse ele na semana passada em Curitiba, quando veio prestigiar a abertura de um ciclo de leituras dramáticas com seus textos, no Teatro da Caixa.
Ele conta que começou a carreira de autor criando textos para o público mirim, mas cedo descobriu uma realidade inquietante - o preconceito que cerca o teatro infantil. Esta é uma luta inglória, desabafou.
A própria classe artística não vê os atores com olhos mais respeitosos. É preciso estar numa peça adulta para se ombrear com os demais. Não é só no tratamento que você sente a diferença. Tudo é de menos, explicou. Embora a situação tenha melhorado um pouco, cansei desse esquema.
Novos autoresAssim como a vida é dura para os profissionais do teatro infantil, ela é igualmente espinhosa para os novos escritores. A tão propalada falta de autores no Brasil, como se convencionou dizer, esconde uma outra realidade - a econômica. Qualquer investimento artístico sai caro, e o teatro está nesse meio. Então ninguém vai arriscar num nome desconhecido, em detrimento a um consagrado.
Pelo país espalham-se os talentos, mas como não encontram oportunidade acabarão não se desenvolvendo, nem amadurecendo pensa Souza. O destino para ele foi mais ameno. O pai financiou seus três primeiros trabalhos e deu-lhe o posto de diretor. Fazer teatro era mais barato que hoje, comentou o dramaturgo.
Sai de baixoNem só de direitos autorais e bilheterias o moço vive. Ele faz parte do quadro de redatores do programa Sai de Baixo, da Rede Globo e garante que apesar da tumultuada saída de Cláudia Gimenez do elenco, o fogo das vaidades continua a arder.
Como se sabe o programa quase implodiu no auge do sucesso por obra e graça dos atores que queriam para si as luzes dos holofotes. Foi uma fase tão difícil que as brigas deixaram o palco e invadiram a redação. As pressões foram tantas que Flávio pensou seriamente em pedir demissão.
A disputa medida palmo a palmo pelos artistas não é privilégio dos televisivos famosos. Em teatro sempre tem esse tipo de confusão. Todo ator quer ganhar o troféu, ser o melhor. Mas eu nunca tinha participado de uma coisa tão biruta, diverte-se.
Próximas leiturasO projeto Segunda na Caixa - Ciclo de Leituras Dramáticas, com textos de Flávio de Souza prossegue por mais três semanas, sempre às segundas-feiras. Hoje: Fica Comigo Esta Noite, direção de Chico Menezes; dia 19 Repetition, direção de Fernando Klug, dia 26 Sexo dos Anjos, direção de Paulo Maia. Às 21 horas, com entrada franca.


