A diretora e dramaturga Maria Clara Machado morreu ontem, aos 80 anos, em decorrência de um câncer linfático diagnosticado há um ano e seis meses. A escritora estava em casa ao lado da sobrinha, a atriz Cacá Mourthé, amigos e familiares, e morreu às 20h45. ‘‘Ela detestava hospital e se ficasse internada sofreria mais. Ela queria ficar perto da família’’, disse Cacá. O corpo de Maria Clara foi velado na capela do Patronado da Gávea, que há 50 anos abriga o Tablado, curso de teatro fundado por ela. O enterro foi ontem, às 16 horas, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, no Rio.
Filha do escritor Aníbal Machado, a mineira Maria Clara escreveu várias peças e livros infantis, livros didáticos e para adultos. Mas considerava o Tablado sua obra mais importante. Nos 50 anos de atividade do curso, Maria Clara formou gerações de atores, como Rubens Corrêa - da turma de 55 -, Maria Padilha, que frequentou as aulas em 1976, aos mais recentes Lúcia Veríssimo, Malu Mader, Marcelo Serrado.
A diretora não gostava da imagem que o Tablado acabou adquirindo - espécie de celeiro para a Rede Globo. ‘‘A maioria chega aqui com uma visão errada da profissão. Acha que é só matricular-se no Tablado que em pouco tempo vai estar na televisão. Ser ator é muito mais do que isso’’, reclamou certa vez.
Há uma semana, Maria Clara foi homenageada durante a entrega do Prêmio Shell de Teatro. Muito debilitada, não pôde comparecer à cerimônia - ela também já não ía ao Tablado nos últimos dias. Mas cerca de 30 alunos subiram ao palco para receber o prêmio em seu lugar. Na ocasião, o ator Luiz Carlos Tourinho, aluno do Tablado, se referiu a ela como ‘‘mãe de todos’’.
Tourinho vestia-se como Pluft, o fantasminha, personagem da peça mais conhecida de Maria Clara, traduzida para diversas línguas.
Cacá Mourthé disseu que as comemorações pelos 50 anos de aniversário do Tablado - que serão completados em agosto - serão mantidas. ‘‘Só não terá a peça infantil que ela pretendia escrever’’, disse a sobrinha, emocionada.

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