O teatro em boa fase
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Francelino França<br>Reportagem Local 
Londrina - A cena teatral em 2001 ganhou impulso em Londrina com o crescimento do número de projetos aprovados na Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Os espetáculos produzidos na cidade disputaram acirradamente os poucos palcos existentes. Os grupos apresentaram curtas temporadas e o custo/benefício dos espetáculos patrocinados pela Lei foi desproporcional. O apanhado de 2001 não está levando em conta os espetáculos apresentados na Sul Mostra Teatro e no Festival Internacional de Londrina (Filo).
Mário Bortolotto, diretor do Grupo Cemitério de Automóveis, marcou presença em Londrina e conquistou a crítica paulistana. Trouxe vários projetos paralelos ao teatro e apresentou, entre outras, ''Felizes Para Sempre'', incluída no projeto Cemitério em Cena. Maurício Arruda Mendonça arriscou trilhar os caminhos de Bortolotto com a montagem de ''Curta Passagem Quatro Pockets Peças''. O mesmo diretor concebeu uma montagem elegante de ''O Misantropo'', de Moliére, com os jovens atores da Cia. Mambembom de Teatro.
Quem atravessou a linha que separa a dança do teatro foi o Ballet de Londrina, com o espetáculo ''Nunca'', dirigido por Leonardo Ramos. Os 11 bailarinos projetaram o nome da cidade nos palcos do Nordeste e Rio de Janeiro. Outro registro importante desse ano foi o retorno de Ricardo Queirolo aos palcos com ''Picolino e os Fantasmas''. Picolino resgatou a mais pura arte circense, numa carreira iniciada em 1941.
A Vivarte Produções levou aos palcos do Cine-Teatro Ouro Verde ''Nazareth e... Ernesto'', uma concepção do pianista Marco Antonio de Almeida contando a vida conturbada de Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth. O espetáculo teve a participação do maestro Roberto Gnatalli. Entrelaçando música e cena, a Cia. de Teatro Fase Três realizou a colagem ''Vingança'' apresentada em bares. Textos de autores consagrados e músicas para ''dor-de-cotovelo'' cantadas por Célia Castro.
Duas montagens de formandos merecem registro. A primeira, da Escola Municipal de Teatro. O musical ''Peter Pan...K'', levou assinatura na direção de Silvio Ribeiro e recebeu direção musical de Robson Borba. Já os formandos da turma Cacilda Becker, do Curso de Artes Cênicas da UEL, resgataram o texto clássico de Eurípedes, ''As Troianas''. A montagem marcou o retorno de Nitis Jacon à direção, depois de uma ausência de sete anos. Carla Diacov e Camila Fontes abandonaram o grupo dos sem-teatro e criaram o T.O.U., um espaço alternativo onde mostram o repertório da trupe, como ''Valentin'', ''A Mais Forte'', ''Valsa Nº 6'' e ''Projeto Gato''.
Outro grupo que somou experiências com projeto da Lei de Incentivo foi o Boca de Baco, importando de São Paulo o diretor Luiz Valcazaras para dirigir ''Fando e Lis'', do franco-espanhol Fernando Arrabal. O grupo ganhou 9 prêmios em festivais de teatro. Outro espaço que foi impulsionado esse ano foi o Sesc Aeroporto, com apresentações de vários espetáculos e leituras dramáticas. Dentre as peças destaque para ''Judas em Sábado de Aleluia'', de Martins Pena.


