O TEATRO DÁ VEZ À MÚSICA
O cantor e compositor carioca Luiz Melodia abre hoje a programação musical do Filo
Nelson Sato
ReproduçãoLuiz Melodia: ‘‘O Brasil é tão rico e variado musicalmente, que começa a fazer m...’’ O Negro Gato deu as caras. Luiz Melodia chega hoje de manhã e canta logo mais no Cabaré (Av. Celso Garcia Cid, 1.419) inaugurando a seção musical do Filo 98, em Londrina. O show começa à meia-noite. Entrevistado por telefone, Melodia anunciou que vai desfiar um rosário de seus sucessos e apresentar as músicas de seu último álbum 14 Quilates, lançado no final do ano passado pela EMI-Odeon.
‘‘Faz muito tempo que não vou aí, que já nem lembro mais quando foi a última vez’’ - observou. O público londrinense, entretanto, não foi o único contemplado pela longa ausência. Os fãs, em geral, já se acostumaram com os sumiços do artista, seja dos palcos ou das vitrines de lançamentos. Aliás, há seis anos o compositor não mostrava composições inéditas - o álbum Relíquias, de 95, era apenas uma coletânea de regravações.
Agora, em fase produtiva, o pérola negra anda entusiasmado com a repercussão do último CD que traz participações especiais de João Donato, Jacques Morelembaum, Márcio Montarroyos, Roberto Frejat e o Barão Vermelho. Entre as músicas destaca-se ‘‘Começar pelo Recomeço’’, que está tocando em rádios cariocas e foi composta pelo poeta piauiense Torquato Neto, de quem Melodia foi amigo nos anos de chumbo.
‘‘Torquato foi o primeiro cara a falar de meu trabalho na imprensa’’ - recorda. ‘‘Um dia, ele chegou em minha casa e deixou duas letras para eu gravar. Uma eu gravei agora, depois de 30 anos engavetada. A outra, intitulada ‘Carnaval Sideral’, está guardada em algum lugar da casa. Tenho que procurar.’’
Outra faixa do disco que remete aos anos 70 é a regravação de ‘‘Ébano’’, com a qual Melô participou de um festival promovido pela TV Globo. A música entrou no repertório graças, segundo ele, ‘‘aos pedidos do público’’. Melodia conta que tentou incluir a canção anteriormente num disco de parceria com a cantora Zezé Mota. ‘‘Chegamos a gravar cinco músicas, mas o projeto não vingou’’ - lembra.
Rotulado como artista maldito, Melodia diz que não liga para o estigma. ‘‘Eu vou levando, vou fazendo minha música. Já não me irrito mais com isso como antigamente.’’ O que lhe causa irritação é a torrente de baixa qualidade que consome atualmente a MPB. Ele não poupa críticas: ‘‘O Brasil é tão rico e variado musicalmente, que começa a fazer m..., começam a aparecer as cáries e a lama’’ - lamenta.
Mas ao lado de tanto lixo, flagra grandes talentos na nova geração. ‘‘Gosto muito do Pedro Luís e o grupo Parede, da Cássia Eller e do grupo Racionais MCs. Pretendo, inclusive, chamar os Racionais para cantar comigo em minha próxima temporada em São Paulo’’. Na boa maré que parece atravessar, Melodia está também namorando o cinema. Além de ter sido convidado para fazer o papel de um taxista num filme sobre a vida do cantor Noel Rosa, ele recebeu recentemente outra proposta para um filme sobre o Rio.
‘‘Sou louco para atuar’’ - confessa. ‘‘De vez em quando jogo umas abobrinhas na imprensa para ver se algum cineasta de peso me chama’’.
Os ingressos para o show custam R$ 10,00.

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